ELOS COM 2016 E 2021

Ouro olímpico inspira Douglas Santos e Matheus Cunha na saga pelo hexa

Campeões pela Seleção em 2016 e em 2021, lateral e atacante enxergam nas medalhas legado de maturidade, convivência com a pressão e espírito de mata-mata para a caminhada na Copa do Mundo

Nova Jersey — Carlo Ancelotti não está sozinho na missão de conduzir o Brasil ao hexa. Vinicius Junior, Endrick e Casemiro funcionam como extensões do treinador em campo graças ao entrosamento construído nos tempos de Real Madrid. Conhecem os atalhos, os conceitos e a forma de trabalhar do italiano. Mas há outro grupo igualmente valioso. Weverton, Matheus Cunha, Douglas Santos, Bruno Guimarães, Neymar e Marquinhos carregam algo que o técnico é incapaz de compartilhar: a memória das últimas conquistas Amarelinha. O que eles têm em comum? Medalhas de ouro olímpicas. Ainda há quem torça o nariz para o torneio de futebol dos Jogos, mas a convocação mostra que as campanhas vitoriosas de Rio-2016 e Tóquio-2020 podem oferecer uma lição preciosa ao Brasil na busca pelo hexacampeonato.

Douglas Santos é o elo mais antigo dessa corrente. Titular na campanha do ouro inédito no Rio-2016, dividiu o gramado com Neymar, Marquinhos e Weverton na conquista da única medalha que faltava à galeria da Seleção Brasileira. Depois de desaparecer do mapa nas Copas de 2018 e 2022, precisou esperar nove anos para voltar a vestir a amarelinha em um Mundial. Agora, tenta transportar para a equipe de Carlo Ancelotti a experiência acumulada naquela campanha histórica. Foi justamente em um torneio de mata-mata, disputado sob enorme pressão e diante da torcida brasileira, que o lateral aprendeu lições que considera úteis.

“Tive a oportunidade, com Neymar e Marquinhos, de conquistar essa medalha tão importante que faltava ao Brasil. Sentimos o peso da responsabilidade jogando em casa e sabíamos da vontade de todos os brasileiros. Não é diferente hoje. Estamos ainda mais focados na Copa do Mundo, que será um feito inesquecível para todos nós. Trazemos a vivência das Olimpíadas para cá e sabemos que ainda temos muito a entregar. Se Deus quiser, vamos conseguir essa vitória tão importante contra a Noruega”, afirmou o canhoto de 32 anos.

Matheus Cunha tem transformado a Copa do Mundo na Olimpíada dele. Em Tóquio-2020, disputou cinco partidas, marcou três gols, deu uma assistência e foi peça importante na conquista do bicampeonato olímpico. Agora, herdeiro da camisa 9, o paraibano de João Pessoa pode completar justamente contra a Noruega, amanhã, o quinto jogo neste Mundial e persegue o quarto gol. A experiência olímpica pode ser um trunfo. 

Enquanto a Seleção Brasileira ainda tenta superar o trauma recente contra potências europeias em Copas, o retrospecto nos Jogos é bem diferente. O título em Tóquio foi conquistado justamente sobre a Espanha. E não qualquer Espanha. O técnico derrotado naquela final era Luis de la Fuente, hoje comandante da seleção principal. Da equipe vice-campeã olímpica permanecem nomes fundamentais da atual Fúria, como Unai Simón, Cucurella, Pedri, Dani Olmo, Zubimendi, Merino e Oyarzabal, além de Carlos Soler. A base construída em Tóquio virou alicerce da seleção que hoje figura entre as favoritas ao título mundial.

A França seguiu caminho semelhante. Vice-campeã olímpica em Paris-2024, mantém uma das gerações mais talentosas do planeta. Michael Olise terminou os Jogos como líder de assistências e é o principal garçom da Copa, com cinco passes decisivos. Rayan Cherki ganhou projeção antes de ser contratado pelo Manchester City, enquanto Désiré Doué e Maghnes Akliouche transformaram a campanha olímpica em trampolim para a seleção principal.

Para Matheus Cunha, porém, o passado serve apenas como referência. O atacante reconhece o peso das eliminações recentes para europeus — França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018) e Croácia (2022) —, mas acredita que a atual geração tem a oportunidade de quebrar a escrita. 

“Não conversamos sobre isso e sobre Copas passadas. Na verdade, temos conversas sobre o momento exato da eliminação porque muitos companheiros passaram por isso, mas é muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou sobre a escola da qual ele vem, no caso a europeia. Mas, sem dúvida nenhuma, é algo que a gente tem que fazer para matar ou sumir com esse fantasma. Para ganhar Copa do Mundo, tem que passar por esses percalços”, reconheceu Cunha. 

A experiência olímpica oferece justamente esse tipo de referência. Rio-2016 e Tóquio-2020 ensinaram ao grupo a conviver com a pressão, sobreviver a mata-matas e levantar troféus vestindo a camisa da Seleção. É esse repertório que Douglas Santos, Matheus Cunha e outros campeões tentam colocar a serviço de Carlo Ancelotti na tentativa de devolver o Brasil ao topo do mundo.

Outros tópicos das coletivas

Matheus Cunha

Duelos contra Haaland na Premier League
É um grande jogador. Demonstrou em todos os momentos em que teve oportunidade. Desde o Borussia Dortmund, o acompanho bastante. Enfrentei-o muitas vezes, joguei também na Alemanha e na Inglaterra. Temos relacionamento saudável e sabemos o quanto cada um pode ser importante em suas equipes. O ataque é muito, muito forte. Tem tantos jogadores que a gente conhece, e joguei contra eles pelo Manchester.

Haaland vê Brasil favorito

Eu vejo pouco sobre favoritismo. Não busco estas informações. Favoritismo não entra em campo. Por mais que se tenha confiança nos seus companheiros, não ajuda em campo. Temos que focar nos 90 minutos, em que tudo pode acontecer.

Mudanças com a saída de Paquetá
Todos nós ficamos mais confiantes com a continuidade. Para nós, é de grande confiança poder estar repetindo. Vamos sentir muita falta do Paquetá, sem dúvidas. O Martinelli é quase um atacante, teremos mais possibilidade de atacar profundidade muito mais. O Danilo (Santos, do Botafogo) já dá uma sustentação mais clara. Espero que quem entre possa nos ajudar muito.

Douglas Santos

Como vê a Noruega além de Haaland
Tem uma estatura muito alta, mas tem feito muitos gols mais no jogo coletivo. É uma seleção muito qualificada também no jogo por baixo e no jogo coletivo. Temos que estar preparados para tudo, porque nas oitavas de final de uma Copa do Mundo todo mundo vai entregar o seu melhor. Então a gente tem que estar preparado, sabendo que a Noruega é um time qualificado, e temos de estar focados durante os 90 minutos.

O papel de lateral que dá amplitude
No Zenit, eu também tenho jogo nesse esquema um pouco mais alto. Às vezes, não no começo do jogo. Quando Mister me colocou ali, eu estava acostumado, mas sempre seguindo as orientações dele, porque isso vai facilitar a minha movimentação. Tive que fortalecer muito bem a minha parte física, pude fazer isso muito bem no Zenit e estou podendo realizar aqui com meus companheiros e fazendo uma grande Copa.

Tabu contra a Noruega
Acho que isso pode servir para nós como uma motivação para tirarmos essa escrita de não vencer a Noruega. Esperamos que, nesse jogo, que é tão especial para nós, possamos dar o melhor e sairmos felizes e contentes com a vitória.

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