Nova York — Lautaro Martínez manterá viva a tradição da Internazionale de ter ao menos um jogador em todas as finais de Copa do Mundo desde 1982. Nenhum clube reunirá mais representantes na decisão entre Espanha e Argentina do que o Atlético de Madrid, com 10 boleiros. Os royalties da formação, porém, pertencem ao Barcelona. La Masia colocará nove jogadores na decisão e provará, mais uma vez, que a maior especialidade não é contratar estrelas, mas fabricá-las.
A academia catalã abastecerá a final com nove jogadores. Pela Espanha, Lamine Yamal, Joan García, Pau Cubarsí, Eric García, Gavi, Dani Olmo, Alejandro Grimaldo e Marc Cucurella. Pela Argentina, Messi é o único representante, mas também a maior obra da história de La Masia.
O domínio não é novidade. Em 2010, La Masia transformou o futebol em um assunto particular do Barcelona. A academia revelou os três finalistas da Bola de Ouro — Messi, Xavi e Iniesta — e também nove campeões mundiais pela Espanha: Víctor Valdés, Carles Puyol, Gerard Piqué, Sergio Busquets, Xavi, Iniesta, Cesc Fàbregas, Pedro Rodríguez e Pepe Reina. Dezesseis anos depois, a academia catalã volta a monopolizar a principal vitrine do futebol mundial.
Diferentemente do rival Real Madrid, o Barcelona lapida talentos para serem desenvolvidos sob a mesma identidade. Há uma filosofia. Dos primeiros treinos na infância até o profissional, os jovens aprendem os princípios de posse de bola, inteligência para ocupar espaços, pressão sem a pelota e capacidade de decidir rapidamente. O resultado está aí: nove jogadores com a mesma alfabetização futebolística.
Messi é a maior prova do alcance de La Masia. Nascido em Rosário, mudou-se para Barcelona aos 13 anos para tratar um déficit de hormônio do crescimento e foi lapidado integralmente na academia catalã. A identificação foi tão profunda que, por pouco, a obra-prima não vestiu a camisa da Espanha. Enquanto a AFA demorava a convocar o adolescente que encantava as categorias de base do Barcelona, a Federação Espanhola tentou convencê-lo a defender La Roja. Cesc Fàbregas e Gerard Piqué participaram das investidas.
Lamine Yamal percorreu o caminho inverso. Nascido na Catalunha, filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, ingressou em La Masia aos sete anos e foi educado dentro do modelo de jogo do Barcelona. A disputa nunca foi com a Argentina, mas com Marrocos. O então técnico Walid Regragui procurou o jogador e a família para convencê-lo a defender a seleção africana. Yamal admitiu que refletiu sobre a possibilidade, mas decidiu representar o país onde nasceu, cresceu e aprendeu a jogar futebol.
Se Messi representa o maior legado esportivo de La Masia, Yamal simboliza o futuro. Aos 18 anos, divide com Erling Haaland o posto de jogador mais valioso do planeta, avaliado em 200 milhões de euros pela plataforma Transfermarkt.
Os outros sete mostram que La Masia nunca dependeu apenas de gênios. Cubarsí representa a maturidade precoce dos zagueiros formados na academia. Joan García simboliza a renovação no gol. Eric García oferece saída de bola desde a defesa. Gavi e Pedri são herdeiros de Xavi e Iniesta na meiuca. Dani Olmo interpreta espaços entre as linhas. Grimaldo mantém a tradição do lateral ofensivo. Cucurella acrescenta agressividade e versatilidade. Perfis diferentes, mas a mesma forma de entender o futebol.
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