Nova York — Luis de la Fuente transformou a Espanha em uma seleção quase inatingível. São 37 partidas de invencibilidade desde que assumiu o comando, em março de 2023. Não se trata de uma sequência construída contra adversários modestos. Enquanto a Argentina foi questionada pelo nível dos rivais enfrentados no ciclo até 2026, a Roja encarou a elite do futebol mundial e também sobreviveu aos emergentes mais perigosos. Sob o comando do treinador, os campeões de 2010 mediram forças com seis vencedores da Copa do Mundo. Falta somente um, a Argentina, na decisão de domingo, às 16h, no MetLife Stadium.
A última derrota da Espanha também ajuda a explicar o tamanho da confiança: foi em 22 de março de 2023, justamente diante de uma seleção sul-americana, a Colômbia, por 1 x 0. Desde então, a Roja acumulou 30 vitórias e transformou a invencibilidade em marca registrada da era Luis de la Fuente. “Só o fato de estar em uma final é um privilégio. Queremos lutar para vencer e aproveitar este momento. A Argentina é um grande rival, com um histórico espetacular”, afirmou o treinador.
Luis de la Fuente também evitou alimentar qualquer polêmica às vésperas da decisão. Questionado se a Argentina pratica um futebol desleal, rejeitou a classificação e preferiu enaltecer o adversário. “Respeito todas as opiniões, mas não. Tenho grande admiração por esta seleção. Eles acabaram de fazer história, são campeões do mundo e da América. Todos usarão as armas do futebol. No fim, será uma partida de futebol”, afirmou.
A decisão também terá um peso histórico. Será apenas a segunda final entre seleções de língua espanhola em 23 edições da Copa do Mundo. A anterior remonta à estreia do torneio, em 1930, quando o Uruguai derrotou a Argentina. “Será um espetáculo fantástico. São duas grandes equipes, com muitas semelhanças. Cada uma tentará impor seu ritmo, mas acredito que será um jogo em que o talento prevalecerá”, projetou.
E por falar em talento… a final colocará frente a frente os dois maiores expoentes de La Masia em gerações diferentes: Lionel Messi e Lamine Yamal. Apontado como herdeiro do argentino, o jovem espanhol teve a condição física confirmada por De la Fuente. "Ele sofreu uma pancada forte, mas jogou a partida inteira perfeitamente. Demos um descanso a ele na quinta-feira e, hoje, ele treinou com os companheiros normalmente. Ele está bem, não há nenhum problema com ele."
Luis de la Fuente também demonstrou tranquilidade às vésperas da decisão. O discurso é respaldado pelo vice-campeonato olímpico em Tóquio-2020 e pelos títulos da Liga das Nações de 2023 e da Euro-2024. Se algo o tira da zona de conforto, não é a final da Copa do Mundo. “Estou nervoso porque vamos voltar para o hotel de helicóptero, e isso me deixa nervoso. Nada mais. Estou completamente calmo. O que queremos é aproveitar”, brincou.
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A decisão também será um duelo de ideias. Luis de la Fuente e Lionel Scaloni percorreram caminhos semelhantes até chegar às seleções principais. Ambos foram promovidos depois de trabalhos bem-sucedidos nas categorias de base e compartilham uma visão parecida sobre o jogo. “Scaloni e eu concordamos em muitos conceitos. Temos muito em comum nesse aspecto. A diferença estará nos pequenos detalhes. Quando chegar a hora de sofrer, sofreremos”, resumiu o espanhol.
O destino ainda reservou outra coincidência. Embora jamais tenham se enfrentado como treinadores, De la Fuente e Scaloni dividiram a mesma sala de aula em 2017, quando participaram juntos de um curso para técnicos. O primeiro encontro à beira do gramado acontecerá justamente na maior decisão do futebol mundial.
Às vésperas da decisão, o treinador buscou conselhos com quem conhece o caminho da glória. Recorreu a Vicente del Bosque, comandante da Espanha campeã do mundo em 2010. “Perguntei a ele. É alguém de quem gosto muito e um sábio do futebol. Já viveu essa situação e não há ninguém melhor para aconselhar”, revelou.
Nem mesmo Lionel Messi ganhará um marcador exclusivo. De la Fuente descartou a perseguição individual, embora tenha lembrado que já adotou essa estratégia no passado. “Conheci Messi quando treinava o time juvenil do Sevilla. Naquela época, nós o marcávamos individualmente. Agora, não será assim. Estaremos atentos, mas defenderemos como equipe. Scaloni e eu somos dois grandes competidores que se admiram muito. É um privilégio enfrentá-lo”, concluiu.
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