Mais da metade dos brasileiros que não sabem ler e escrever um bilhete simples tem 60 anos ou mais. Em 2025, esse grupo reuniu 4,9 milhões de pessoas, o equivalente a 58% do total de analfabetos do país, segundo dados obtidos a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e divulgados nesta quinta-feira (19/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de analfabetismo entre os idosos alcançou 13,8%, enquanto entre a população de 15 a 59 anos o índice caiu para 2,6%, evidenciando os efeitos da ampliação do acesso à educação nas últimas décadas.
De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, os números reforçam a necessidade de políticas voltadas tanto para a permanência de crianças e jovens nas escolas quanto para programas específicos destinados à alfabetização de adultos e idosos. Segundo ele, as novas gerações tiveram maior oportunidade de escolarização e foram alfabetizadas ainda na infância, fazendo com que o problema esteja mais concentrado entre os brasileiros mais velhos.
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres com 60 anos ou mais ficou abaixo da registrada entre os homens da mesma faixa etária. Em 2025, o índice foi de 13,7% entre elas e de 14,1% entre eles. Na população com 15 anos ou mais, a diferença também favoreceu o público feminino, com taxa de 4,6%, contra 5,2% entre os homens. Para Kratochwill, os resultados indicam avanços na escolarização das mulheres em diferentes gerações e apontam para a redução das desigualdades educacionais herdadas do passado.
As disparidades raciais permanecem evidentes nos indicadores. Entre pessoas de 15 anos ou mais, 2,8% dos brancos eram analfabetos, enquanto a proporção chegava a 6,5% entre pretos ou pardos. A distância se amplia na população idosa. Entre aqueles com 60 anos ou mais, a taxa registrada para pretos ou pardos foi de 20,6%, quase três vezes superior aos 7,3% observados entre os brancos.
Apesar da redução de 1,2 ponto percentual em relação a 2024 entre idosos pretos ou pardos, o especialista avalia que os dados ainda revelam um histórico de exclusão educacional acumulado ao longo das décadas. O resultado mostra avanços recentes, mas evidencia que as desigualdades no acesso à educação continuam presentes e seguem influenciando os indicadores de alfabetização no Brasil.
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro
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