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Analfabetismo cai para 4,9% no Brasil e atinge menor índice da série histórica

Levantamento do IBGE mostra redução do número de brasileiros que não sabem ler e escrever, mas desigualdades regionais, raciais e etárias ainda persistem no país

Rafaela Bomfim
postado em 19/06/2026 10:36 / atualizado em 19/06/2026 10:39
Apesar do avanço, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do problema até 2024, não foi alcançada -  (crédito: Agência Brasil)
Apesar do avanço, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do problema até 2024, não foi alcançada - (crédito: Agência Brasil)

O Brasil encerrou 2025 com 8,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais sem saber ler e escrever um bilhete simples, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. É a primeira vez, desde o início da série histórica reponderada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2016, que o indicador fica abaixo de 5%. Em relação a 2024, houve redução de 592 mil pessoas nessa condição, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do avanço, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do problema até 2024, não foi alcançada.

As diferenças entre as regiões do país permanecem evidentes. Mais da metade dos analfabetos, cerca de 4,8 milhões de pessoas, vive no Nordeste, onde a taxa chegou a 10,6%. O Norte aparece em seguida, com 5,7%, enquanto Centro-Oeste, Sul e Sudeste registraram percentuais de 3,3%, 2,4% e 2,3%, respectivamente. Entre 2024 e 2025, apenas o Sudeste apresentou diminuição do índice, com queda de 0,5 ponto percentual.

A população idosa concentra a maior parcela do problema: 58% dos brasileiros analfabetos têm 60 anos ou mais, grupo que reúne 4,9 milhões de pessoas. Nessa faixa etária, a taxa alcançou 13,8%, enquanto entre aqueles de 15 a 59 anos o percentual foi de 2,6%.

De acordo com o analista do IBGE William Kratochwill, os resultados refletem maior acesso das gerações mais jovens à escolarização. Segundo ele, o cenário reforça a necessidade de políticas voltadas à permanência de crianças e adolescentes nas escolas, além de ações específicas para alfabetização de adultos e idosos.

Pela primeira vez, a taxa entre mulheres com 60 anos ou mais ficou abaixo da observada entre os homens, com 13,7% contra 14,1%. Na população total de 15 anos ou mais, as mulheres registraram índice de 4,6%, enquanto os homens alcançaram 5,2%. O especialista avalia que os números apontam para uma redução das desigualdades educacionais históricas enfrentadas pelo público feminino.

As disparidades raciais também seguem presentes. Entre pessoas de 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre brancos foi de 2,8%, enquanto entre pretos e pardos chegou a 6,5%. Entre os idosos, a diferença é ainda mais acentuada: 20,6% dos pretos ou pardos não sabiam ler e escrever, percentual quase três vezes superior ao registrado entre os brancos, de 7,3%.

Em contrapartida, o levantamento mostrou que, pela primeira vez, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. O grupo atingiu 51,3%, embora ainda permaneça abaixo dos 64,9% observados entre os brancos. A média nacional de anos de estudo chegou a 10,2 anos em 2025, superior aos 9,1 anos registrados em 2016.

Os dados também revelam avanços e desafios em outras etapas da educação. A proporção de crianças de 6 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental adequado para a idade atingiu 96,1%, superando a meta de 95% estabelecida pelo PNE. Já entre os jovens de 15 a 17 anos, 80,6% frequentavam ou haviam concluído o ensino médio, índice ainda abaixo da meta de 85%. Na faixa de 18 a 24 anos, 24,5% estavam cursando o ensino superior, enquanto 7,7 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos não haviam terminado o ensino médio.

Os maiores índices de abandono escolar ocorreram aos 16, 17 e 18 anos, evidenciando que o acesso à educação avançou nos últimos anos, mas ainda enfrenta obstáculos relacionados à permanência e à redução das desigualdades sociais e raciais.

 *Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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