Educação

"Temos hoje mais de 3 mil vagas ociosas nas creches do DF", garante Hélvia Paranaguá

Gestora aponta que o DF busca zerar fila de espera, mas enfrenta ociosidade em mais de 3 mil vagas; pauta sobre evasão escolar e falta de monitores também marcou a entrevista

Letícia Mouhamad
postado em 02/03/2026 11:28
Secretária de Educação do DF, Hévia Paranaguá, assume a presidência do Conselho que reúne secretários de educação de todos os estados do Brasil -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Secretária de Educação do DF, Hévia Paranaguá, assume a presidência do Conselho que reúne secretários de educação de todos os estados do Brasil - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, afirmou nesta segunda-feira (2/3) que a rede pública de ensino do DF dispõe atualmente de um excedente de mais de 3 mil vagas não preenchidas em creches. A declaração ocorreu durante a I Reunião Ordinária de 2026 do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), em Brasília, no qual assumiu a presidência da entidade.

Em entrevista ao Correio, a gestora explicou que o governo tem trabalhado para zerar a fila de espera, mas enfrenta uma resistência cultural de parte das famílias.

"Essa situação ocorre porque muitos pais optam por cuidados domésticos com as crianças, especialmente nos primeiros anos de vida. A oferta de vagas deve existir, e o Estado a garante, tanto em creches próprias quanto através do programa Cartão Creche", pontuou a secretária, reforçando que o benefício é fundamental para atingir a meta de atendimento infantil sem abrir mão da qualidade pedagógica.

Ainda sobre a educação infantil, Hélvia destacou que a prioridade da gestão, em parceria com o governador Ibaneis Rocha, foi universalizar o atendimento às crianças em situação de vulnerabilidade social. Segundo ela, o suporte das creches vai além do ensino, cumprindo um papel assistencial e alimentar indispensável para que as mães possam ingressar no mercado de trabalho.

Financiamento

No campo do financiamento, a nova presidente do Consed defendeu que o recém-aprovado Sistema Nacional de Educação (SNE) precisa vir acompanhado de repasses federais proporcionais. Para Hélvia, os estados não podem arcar sozinhos com o ônus financeiro das novas diretrizes.

"É crucial que o sistema e o Plano Nacional de Educação contem com recursos financeiros definidos. A valorização de professores e suas carreiras, o que envolve não apenas infraestrutura, mas também remuneração e benefícios, depende do alinhamento com os Ministérios da Economia e da Fazenda", explicou, adiantando que pretende pressionar o governo federal por essa previsibilidade orçamentária.

A secretária também abordou os desafios da expansão do ensino em tempo integral, apontando a disponibilidade de espaço físico como o principal entrave. Ela explicou que acomodar alunos por um período mínimo de sete horas exige obras de ampliação e novas construções.

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