A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) elegeu a nova presidente da entidade no 46° congresso da Ubes, em São Bernardo do Campo (SP). O evento reuniu mais de 7 mil estudantes, entre alunos do ensino fundamental, médio, técnico e preparatório de todo o Brasil na semana passada. Ao fim do congresso, Roberta Pontes foi eleita pela chapa “Secundarista, seu nome é Povo na Rua”, com 3.238 votos, o equivalente a 87,01% do total.
Quem é a nova presidente?
Filha de mãe doméstica e pai ambulante, a nova líder da Ubes nasceu no bairro de Ibura, em Recife (PE), conhecido como um dos mais perigosos da cidade. Para chegar à escola, Roberta contou que tinha muitas dificuldades para pagar a passagem, mas, por meio de uma luta estudantil para obter a política pública do passe livre na cidade, conseguiu ter acesso à educação. “Depois de muito tempo entendi que a educação não começa apenas na porta da escola, mas no caminho até ela”.
Em meio ao contexto pós-pandêmico, Roberta se viu em um cenário escolar precário. O pontapé inicial no movimento estudantil iniciou-se na luta dos alunos por ar-condicionados. “O Ubes foi à minha escola em 2022 para convidar os estudantes para um congresso realizado em Brasília. Engajada com o movimento estudantil, eu resolvi ir”, disse. “Nesse congresso eu despertei mais ainda meu entendimento para participar dessa luta”.
A nova gestão
Roberta foi tesoureira da Ubes de Pernambuco nos últimos dois anos, e agora, de acordo com ela, a prioridade da gestão será combater o autoritarismo, os discursos de ódio e a crescente militarização escolar no Brasil. “Nós seremos os inimigos número um daqueles que querem transformar a escola em quartel e num espaço de autoritarismo. A escola para nós é um lugar de fortalecer a democracia, emancipar o povo e construir a nação”, afirma.
Além disso, a presidente disse que pretende continuar engajada na campanha Se Liga 16, que incentiva adolescentes de 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitor. A entidade ressalta a importância da oportunidade de influenciar os rumos do país antes mesmo de concluir a educação básica por meio do voto.
Outro tópico citado foi o combate à crescente do movimento red pill, assédio e machismo nas escolas de todo o Brasil. “Essa disputa ideológica que acontece é muito perigosa para o nosso futuro. Vemos meninas sendo assediadas, violentadas e até mortas. Um dos nossos grandes objetivos é transformar a escola em um espaço mais seguro, livre de autoritarismo e de violências”, disse a nova presidente.
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Roberta também citou os problemas vivenciados durante o período que estudava e afirmou que persistem. “Temos muitas escolas no Brasil que ainda não tem ar-condicionado, estudantes são obrigados a vivenciarem a sala de aula com calor. E não somente isso, também tem estudante que vive com goteiras caindo do teto. Escolas que não tem porta e lousa para o professor escrever no quadro”, afirmou.
Por fim, ela ressaltou que nunca houve transformações significativas para os estudantes secundáristas estivessem organizados e unificados. “Nós fomos a galera da luta contra a ditadura militar, conquistamos o voto a partir dos 16 anos, que conseguimos a lei do Grêmio Livre, organizamos milhares de mobilizações na defesa das escolas”, disse. “É muito importante manter nessa mesma linha de frente, porque o Brasil, precisa de nós e a nossa principal trincheira de luta é dentro da sala de aula”.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
Educação básica
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