Eu, Estudante

MUNDIAL DE SELEÇÕES

Escolas públicas transformam clima da Copa em ferramenta pedagógica

A empolgação com a Seleção Brasileira e o astral do Mundial tomam conta da sala de aula. Escolas usam a temática do campeonato para incentivar alunos, que aprendem produzindo bandeiras, murais e outros trabalhos pedagógicos

Por Davi Cruz e Manuela Sá*

Em clima de Copa do Mundo, as escolas da rede pública do Distrito Federal transformaram a paixão pelo futebol em ferramenta de aprendizado. Às vésperas da partida da Seleção Brasileira contra o Haiti, que ocorre hoje, a partir das 21h30, unidades de ensino mobilizaram estudantes em atividades pedagógicas, gincanas, decorações temáticas e ações que unem esporte e educação.

Davi Pereira/CB/D.A Press - "O Brasil vai ser campeão!", Oliver Santos, 4 anos

No Centro de Ensino Fundamental 03 da Estrutural (CEF 03), a Copa tomou conta dos corredores, das salas de aula e até das provas. Bandeiras, murais e trabalhos produzidos pelos 521 estudantes no ensino regular e outros 92 em período integral ajudam a criar um ambiente de torcida rumo ao hexa.

Davi Pereira/CB/D.A Press - "Contra o Haiti, vai ser 6 x 0 para a gente", Maria Cecília, 8 anos

A diretora do colégio, Sheila Lemos, explicou que o assunto foi integrado às práticas pedagógicas para tornar o aprendizado mais atrativo. "Eles aprendem mais quando gostam do conteúdo. O resultado tem sido um maior envolvimento dos estudantes. Eles estão muito engajados, a gente percebe aquele brilho. É diferente", contou.

Davi Pereira/CB/D.A Press - "Neymar vai fazer 4 ou 5 gols no campeonato", Heloísa Carvalho, 10 anos

Para Sheila, a Copa também resgata um sentimento coletivo entre os brasileiros. "Os professores já tinham falado que o tema tinha que ser Copa. Não tem como. Os alunos e os professores também se engajaram. E ficou a nossa cara. Essa época traz esse resgate também da união dos brasileiros", ressaltou.

Gincana

Um dos destaques da programação é a tradicional gincana escolar. Há três anos, a turma vencedora recebe como prêmio um lanche do McDonald's, recompensa que se tornou um grande incentivo. "Por ser uma comunidade de extrema vulnerabilidade social, a maioria nunca teve acesso. Nos anos anteriores, sempre foi uma emoção muito grande. Tivemos até meninos chorando, falando que era o dia mais feliz da vida deles", relembrou a diretora.

Davi Pereira/CB/D.A Press - No CED Águas do Cerrado, gincana sobre meio ambiente incluiu a Copa

A professora Elaine Almeida, que trabalha na unidade desde 2022, é uma das responsáveis por estimular a participação dos alunos. Ela destacou que a competição despertou um espírito de cooperação dentro da turma. "Eu propus para eles e falei: vamos ser os campeões. A gente tem que ser campeão nas coisas boas. Aí, perguntei quem já tinha comido lanche no McDonald's. Muitos nunca comeram. Isso mexe com a gente. Então, todo dia a gente lembra qual é o nosso objetivo", relatou.

Davi Pereira/CB/D.A Press -
Davi Pereira/CB/D.A Press -
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Davi Pereira/CB/D.A Press -
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Minervino Junior CB/DA Press -
Minervino Junior CB/DA Press -
Minervino Junior CB/DA Press -
Minervino Junior CB/DA Press -
Minervino Junior CB/DA Press -

Para a educadora, a Copa é uma oportunidade de fortalecer a autoestima dos estudantes e mostrar que os anseios precisam caminhar ao lado da educação. "O sonho de todo menino é ser jogador de futebol. Então, a gente aproveita para mostrar que eles podem ser o que quiserem ser, mas que a educação tem que ir junto. Eles não podem ser um jogador de futebol que não sabe ler, que não sabe fazer conta, que não sabe escrever", afirmou.

Torcida

Entre os pequenos estudantes, o assunto dominante é a Seleção Brasileira. O representante de uma turma do quarto ano, Diego Felipe, 10 anos, sonha em defender o Flamengo e vestir a camisa do Brasil no futuro. "Meu sonho é jogar no Mengão, o melhor de todos, e na Seleção também", disse. Ele acredita em uma boa atuação brasileira nos próximos jogos. "Vamos classificar e ser campeões!", comentou, entuasiasmado.

O vice-representante Daniel Luan, 10, também demonstrou confiança na equipe comandada pelo técnico Carlo Ancelotti. "Vou torcer muito. Quero que o Endrick faça gol", disse. Já Filipe Silva, 10, torcedor do PSG, considera que o Brasil ainda pode melhorar na competição. "Acho que eles estavam treinando. Agora conseguem ganhar. Acho que vai ser uns dois a um", opinou.

Em Planaltina, os estudantes do CED Águas do Cerrado também entraram na torcida pela Seleção. 

Os 735 estudantes participam de três semanas de gincana que trata de temas relacionados aos animais do Cerrado e ao Brasil. A programação faz parte do projeto Dicionários do Cerrado, que tem duração de um ano. Durante esse período, são trabalhados os animais desse bioma e, neste ano, também temas ligados à Seleção. As atividades incluem grito de guerra, usar algo verde e amarelo e desafio para cantar o Hino Nacional.

Ontem, foi dia do cabelo divertido. Os pequenos aproveitaram a oportunidade para colocar gols e bolas de futebol no cabelo, além de pintar mechas de verde e amarelo. De acordo com a diretora da escola, Elcineide Ferreira, essa foi a atividade mais divertida: "As crianças amam desfilar. Elas acham demais. Isso é fantástico".

Com uma bandeira do Brasil e uma tiara que mistura símbolos de Copa e de festa junina na cabeça, Heloísa Carvalho, 10, aposta em um placar de 6 x 2 para a seleção canarinho na partida contra o Haiti. Ela está animada para a participação de Neymar no campeonato. Nele, ela deposita sua fé no hexa. "Neymar vai fazer quatro ou cinco gols no campeonato", diz.

Maria Cecília Oliveira, 8, também aposta em Neymar. Apesar de não ter ficado feliz com o empate do jogo do Brasil contra o Marrocos, ela está gostando da performance da equipe. O zagueiro Marquinhos, para ela, é outra estrela do time. Sobre a partida de amanhã, a expectativa é alta. "No jogo contra o Haiti, vai ser 6 x 0 para a gente", arrisca.

Vinicius Jr. em campo é o que chama a atenção de Rafael Tantasleite, 6 anos. O interesse pelo jogador do Real Madrid tem um motivo inusitado. "Ele é a figurinha mais rara do álbum", explica.

Aos quatro anos, Oliver Santos acompanha sua primeira Copa. Para ele não restam dúvidas: "o Brasil vai ser campeão". 

*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso