Por João Hermógenes*
São Paulo — A segunda edição do estudo sobre apagão dos professores lança luz em um novo problema: o envelhecimento dos professores. Na primeira edição, em 2022, o estudo revelava um cenário de queda de ingresso de estudantes na carreira de licenciatura. O estudo foi divulgado durante o 28º Fórum do Ensino Superior (Fnesp) promovido esta semana pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de instituições de ensino superior no Brasil
Neste ano, o estudo mostra que entre 2015 e 2025, o número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, passando de 17,3 mil para 11,9 mil. Em contrapartida, o contingente de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, de 18,2 mil para 37,3 mil.
Para uma leitura prática desses números, o instituto elaborou a Taxa de Renovação Docente, que relaciona o número de professores de até 24 anos ao contingente de 60 anos ou mais. Em 2015, a proporção era próxima de um para um — um docente no início da carreira para cada educador sênior, com taxa de renovação de 0,95. Já em 2025, essa relação caiu para um profissional jovem a cada três docentes mais experientes, com taxa de 0,32. Como boa parte dos docentes mais experientes está próxima da aposentadoria, a reposição da força de trabalho se torna uma preocupação real.
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De acordo com a projeção do instituto, a proporção em 2040 vai de um para cada seis educadores 60+. Em números absolutos seriam 10,7 mil professores jovens para 61 mil docentes próximos a aposentadoria.
“Os dados mostram que o risco de apagão não depende mais apenas da quantidade de professores existentes hoje. O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos”, resume a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira.
Em entrevista para o Correio, Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Instituto Semesp, afirmou que o mecanismo para frear esse cenário passa fundamentalmente por um pacto nacional, mas as instituições de ensino superior podem auxiliar na formação de novos docentes. “Sem dúvida nenhuma é papel das instituições trazer uma formação com qualidade, muita práticas trazendo a discussão sobre o EAD” acrescenta Capelato
Precarização
Outro dado discutido na apresentação do estudo é a composição do corpo docente. O número de professores com contratação de regime temporário aumentou em 40,4%, passando de 146 mil para 205 mil, de 2015 a 2025. Em contraponto, o número de professores concursados sofreu uma queda, indo de 305 mil para 255 mil, reduzindo a participação da categoria de 67,2% para 54,1%. Sendo assim, cerca de 50 mil professores estáveis a menos 59 mil temporários a mais.
Com maior instabilidade, para Capelato a expansão das contratações temporárias atende parte da necessidade imediata das redes, mas não resolve o problema de renovação.“Ao contrário, aumenta a dependência de vínculos mais precários em um momento no qual o sistema educacional precisa atrair e reter uma nova geração de professores”, completa o diretor executivo.
*O estagiário viajou a convite do Semesp
*Estagiário sob supervisão de Aline Gouveia
