Faltando cerca de cinco meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), candidatos ainda têm tempo para recuperar conteúdos, corrigir falhas na preparação e aumentar as chances de conquistar uma vaga na universidade. Especialistas afirmam que o período exige estratégia, organização e adaptação ao estilo da prova, considerada uma das mais longas e desgastantes do país.
Nesta reta final dos estudos, muitos estudantes acreditam que o tempo está acabando. No entanto, o professor de Geografia do Galois, João Augusto Carvalho, afirma que ainda há uma boa margem para avançar na preparação. Segundo ele, este não é o momento de desanimar, mas de identificar dificuldades e direcionar os esforços para os conteúdos que exigem mais atenção.
Nessa fase, uma das principais recomendações é recorrer às edições anteriores do exame para identificar os conteúdos mais relevantes, os assuntos que aparecem com maior frequência e os temas que podem servir de repertório para diferentes áreas da prova.
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“O Enem é uma maratona”
Além do domínio dos conteúdos, é fundamental que o candidato esteja adaptado ao formato da prova e ao tempo exigido para realizá-la.
“O Enem é uma prova cansativa. Se fôssemos comparar com um esporte, ela seria uma maratona. São 90 questões em um dia, 90 questões em outro, com textos muito grandes, o que provoca um desgaste energético para ler, compreender e responder questões. E isso precisa estar treinado”, reforça o professor.
Nesse contexto, a organização é uma peça essencial para montar um cronograma de estudos eficiente. O especialista recomenda conciliar revisão de conteúdo com resolução de questões e, claro, a prática da redação.
“Os temas das redações e as matérias cobradas em questões de provas antigas podem acabar surgindo como um conteúdo que você viu há alguns meses e que será obrigado a recordar”, destaca. “Então, use a questão não só para identificar se você sabe ou não sobre o conteúdo, mas também como um método de estudo.”
Sobre a periodicidade das revisões, o professor recomenda que elas sejam feitas a cada sete dias, para favorecer a fixação do conteúdo sem sobrecarregar o cérebro. Além disso, é importante testar a memória ao longo de todo o processo. Antes de consultar anotações, por exemplo, vale a pena tentar lembrar o máximo possível sobre determinado assunto. “Esse exercício fortalece a aprendizagem sem exigir muito tempo”, destaca.
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Erros comuns
Segundo João Augusto Carvalho, um dos erros mais frequentes entre os candidatos é deixar de lado a parte teórica e estudar apenas por meio da resolução de questões. “Tem candidato que se limita a fazer exercícios: acertou, ótimo; errou, corrige ali e vai para o próximo. Isso pode prejudicar o candidato em algumas questões que vão cobrar um nível técnico mais elevado”, explica.
Outro equívoco recorrente é não praticar a redação. De acordo com o professor, escrever um texto em casa, em um ambiente tranquilo, é muito diferente de produzir uma redação sob a pressão do dia da prova.
Além disso, ficar no celular não é sinônimo de estar bem informado. Por isso, é importante acompanhar notícias, conhecer diferentes temas e desenvolver o pensamento crítico — habilidade que, segundo o especialista, tem sido cada vez mais terceirizada pelo uso excessivo da inteligência artificial.
“Hoje, com o uso cada vez maior da inteligência artificial, alguns candidatos acabam terceirizando o processo de reflexão. O problema é que, no dia da prova, estarão sozinhos diante das questões e não vão conseguir resgatar aquele conteúdo”, afirma.
Outro erro comum é deixar de lado justamente as disciplinas em que há mais dificuldade. Em uma prova extensa como o Enem, negligenciar determinados conteúdos pode custar caro ao candidato. Mesmo sem afinidade com uma matéria específica, é importante buscar uma evolução mínima em todas as áreas do conhecimento.
Redação
A redação continua sendo um dos maiores desafios do Enem. Diferentemente das demais partes da prova, ela exige que o candidato analise um tema inédito, organize ideias e construa uma argumentação consistente em um curto período de tempo. “Isso requer um bom repertório, um bom conhecimento de mundo”, diz o professor.
Por isso, além da leitura de jornais e do acompanhamento das notícias, é fundamental compreender como o mundo funciona e desenvolver a capacidade de refletir criticamente sobre diferentes problemas. “A leitura tem um papel central nesse processo. Quem lê mais amplia o vocabulário, melhora a interpretação de textos e desenvolve maior facilidade para organizar ideias na escrita. Em outras palavras, aprender a ler bem é um dos caminhos mais eficazes para aprender a escrever bem”, reforça.
Saúde mental
Se dominar os conteúdos é importante, cuidar da saúde mental também faz parte da preparação para o exame. Segundo João Augusto Carvalho, a ansiedade pode comprometer o desempenho até mesmo de estudantes que chegam bem preparados à prova.
Para minimizar esse impacto, o professor recomenda que os candidatos se familiarizem com as condições reais do Enem. Fazer simulados em casa, nos mesmos horários e dias do exame, pode ajudar a reduzir a insegurança e tornar a experiência mais previsível.
“A saúde mental é tão importante quanto o domínio dos conteúdos. Quando o estudante sabe como será sua rotina no dia da prova, o que vai levar e como administrar o tempo, ele reduz muitas das incertezas que costumam gerar ansiedade”, afirma.
Outro cuidado importante é evitar o excesso de informações nas redes sociais. De acordo com o especialista, a busca constante por novos métodos de estudo pode gerar comparações e insegurança. “O melhor método é aquele que o aluno consegue desempenhar, aquele que foi treinado e funciona para a sua realidade”, destaca.
Quem tem pouco tempo para estudar
Nem todos os candidatos conseguem dedicar várias horas por dia aos estudos. Nesses casos, a recomendação é priorizar os conteúdos que historicamente aparecem com mais frequência na prova e concentrar esforços nos temas considerados mais relevantes.
Ferramentas como flashcards e revisões espaçadas também podem ajudar a aumentar a retenção do conteúdo sem exigir longos períodos de estudo. “Quando o tempo é limitado, eficiência é mais importante do que quantidade”, resume o professor.
Mais do que decorar conteúdos
Para João Augusto Carvalho, o perfil dos processos seletivos tem exigido dos candidatos competências que vão além da memorização. Além de dominar os conteúdos, é fundamental compreender o estilo das questões, conhecer os critérios de correção e desenvolver estratégias para lidar com a prova.
Habilidades como leitura crítica, interpretação de textos e resolução de problemas seguem entre as mais valorizadas. A capacidade de manter o foco e o rendimento ao longo de uma prova extensa também pode ser decisiva para a aprovação. “O Enem exige não apenas conhecimento, mas a capacidade de aplicar esse conhecimento sob pressão”, afirma.
Com cerca de cinco meses até o exame, a principal orientação é aproveitar o tempo disponível de forma estratégica. Revisões periódicas, resolução de questões, prática de redação e atenção à saúde mental podem fazer diferença no resultado final. Afinal, como lembra o professor, o Enem não é uma corrida de velocidade, mas uma maratona que exige preparo, constância e planejamento.
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