Uma mistura improvável entre futebol, vôlei, handebol e criatividade brasileira. Assim pode ser definido o futmanobol, modalidade criada a partir de uma ideia que nasceu de forma espontânea e que hoje ganha espaço dentro da Universidade de Brasília. Desenvolvido na capital federal, o esporte se tornou parte da rotina universitária e começa a chamar atenção também fora do câmpus.
O futmanobol teve origem em 2005, quando o professor Cristiano Hoppe Navarro visualizou mentalmente um jogo que permitisse o uso dos pés e das mãos sem que a bola fosse segurada. A ideia saiu do papel alguns anos depois, com a realização da primeira partida em 2010. Desde então, o esporte passou a ser estruturado e aprimorado, tendo foco em Brasília, capital onde encontrou espaço para crescer.
Foi no ambiente da universidade que a modalidade ganhou corpo. A prática ganhou força por meio de treinos, disciplinas acadêmicas, projetos de extensão e competições internas. Hoje, o futmanobol faz parte dos Jogos da UnB e mobiliza estudantes de diferentes cursos, além de participantes da comunidade externa.
O diferencial do esporte está na dinâmica de jogo. Ao contrário de modalidades tradicionais, não há goleiro fixo e todos os jogadores participam tanto da defesa quanto do ataque. A bola pode ser tocada com mãos e pés, mas com restrições que estimulam a criatividade. Não é permitido segurá-la ou conduzi-la com as mãos, e os toques precisam respeitar limites que incentivam o jogo coletivo e a alternância de movimentos.
Essa lógica cria uma experiência híbrida. Elementos do futebol aparecem nos passes e chutes, enquanto fundamentos do vôlei, como manchete e toque, também fazem parte das jogadas. Há ainda semelhanças com o handebol e até com esportes de raquete, formando um jogo imprevisível.
Segundo o criador, as regras foram sendo moldadas na prática, a partir da observação dos próprios jogadores. O objetivo nunca foi restringir, mas ampliar as possibilidades dentro de quadra. Com isso, o futmanobol se estrutura em torno de princípios como criatividade, colaboração e diversão, o que ajuda a explicar o apelo entre os universitários.
O ambiente da UnB teve papel decisivo nesse processo. A integração entre ensino, pesquisa e extensão permitiu que o esporte fosse além da prática física, tornando-se também objeto de estudo acadêmico. Pesquisas sobre comportamento, cognição e criatividade já utilizam o futmanobol como base, reforçando a dimensão científica.
Atualmente, os treinos ocorrem regularmente dentro e fora do câmpus, com atividades abertas ao público. Competições como a Copa Futmanobol e o torneio Rei da Quadra ajudam a manter a comunidade ativa e a atrair novos praticantes.
Apesar do crescimento, o esporte ainda enfrenta desafios para se expandir nacionalmente. Entre os próximos passos estão a criação de uma federação, a formalização de regras em diferentes formatos e o fortalecimento da presença digital. A ideia é levar a modalidade para outras universidades e, futuramente, para fora do país.
Com raízes tanto da diversidade cultural de Brasília e no espírito inovador da universidade, o futmanobol segue em construção. A proposta aposta na mistura, na experimentação e na criatividade como marca principal dentro e fora das quadras.
* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
Ensino superior
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