Com o objetivo de discutir ideias sustentáveis e mostrar o Brasil ao mundo como um agente global em questões ambientais, a Climate Action Solutions & Engagement (C.A.S.E) apresentou, na última quarta-feira (18/3), o relatório “Histórias de soluções climáticas e socioambientais brasileiras”. O evento ocorreu no Complexo Matarazzo, em São Paulo, e revelou um mapeamento detalhado de 128 iniciativas do setor privado com potencial para a escala global.
A C.A.S.E é uma iniciativa conjunta, feita por Bradesco, Itaúsa, Itaú Unibanco, Marcopolo, Natura, Nestlé e Vale. Durante o evento, especialistas e embaixadores das empresas afirmam que “o setor privado é uma das apostas para a realização de ideias sustentáveis”. Além de ser a maneira de transformar o país em um local ecológico, o engajamento de empresas privadas atrai a população para debates ambientais.
Junto ao Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e Sustainable Business COP (SBCOP), o material propõe a análise de 128 soluções climáticas e socioambientais. Com uma visão de escala internacional, entre 5 e 10 projetos serão selecionados e conduzidos durante o ano. O objetivo é acompanhar a evolução das ideias e compartilhar ao mundo a visão sustentável do Brasil.
COP 30 e o protagonismo dos setores privados
O sucesso da COP 30, realizada em Belém em 2025, estende suas ideias para fora da cúpula. A Agenda de Ação, criada há 10 anos, reúne centenas de ações voluntárias de empresas e organizações não governamentais para lidar com a crise climática. O desenho tem grande alinhamento aos temas prioritários da C.A.S.E e, por esse viés, o relatório de ideias registra soluções mapeadas com os planos de ação definidos na conferência.
“O que vimos no evento é como a força para a agenda de ação acontecer são os setores privados”, confirma André Corrêa, presidente da COP 30. Em um contexto de guerras, a autonomia do Brasil também foi discutida no evento.
Ana Toni, CEO da COP 30, vê uma possibilidade de o país trabalhar em uma prevenção de guerras a partir do diálogo com outros países e empresas privadas, tornando-se mais independente em relação às questões ecológicas.
Rumo à Turquia, Ana Toni e André compartilham os planejamentos para a próxima conferência. Este ano, em solo turco, o Brasil conduzirá seis “Mapas do Caminho”, que visam acelerar a resposta global à crise climática. Entre os focos centrais estão: transição energética e o abandono de combustíveis fósseis, preservação ambiental, consolidação da Agenda de Ação, Missão 1.5 — que pretende manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 °C — e o financiamento em larga escala de US$ 3 trilhões.
A transição de sede reforça que o engajamento do setor privado brasileiro não é uma ação isolada, mas parte de uma engrenagem global que busca estratégias escaláveis, tecnológicas e financiáveis.
Eixos analisados
Conduzido pela consultoria global Accenture, o estudo foca em cinco pilares estratégicos para a economia verde. A transição energética foi o eixo mais frequente. Iniciativas como a descarbonização de cadeias produtivas e da infraestrutura energética foram comentadas.
No campo da bioeconomia e restauração florestal, o relatório enfatiza o uso de tecnologia na natureza para a reconstrução do bioma. Com impacto positivo na sociedade, ambos focam na recuperação de áreas prioritárias, na recomposição de paisagens e geram benefícios aos territórios e comunidades locais.
Já as soluções em infraestrutura e economia circular foram temas explorados com iniciativas ligadas à mobilidade, logística, segurança hídrica, eficiência energética, logística reversa e reaproveitamento industrial.
Voltado ao financiamento climático, a pesquisa propõe instrumentos financeiros associados a critérios ambientais e socioambientais, com atuação direta na recuperação de pastagens degradadas e estruturas voltadas à conservação ambiental.
Por fim, o relatório detalha os avanços dos biocombustíveis, os mecanismos relacionados à descarbonização do transporte e o avanço de alternativas energéticas para o eixo da agricultura regenerativa
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá.
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