30 anos do PAS

PAS 30 anos: a ideia da UnB que revolucionou o acesso à universidade

Com mais de 53 mil aprovados desde 1999, programa pioneiro inovou ao avaliar os estudantes ao longo de três anos e hoje garante metade das vagas da maior universidade do DF

João Pedro de Lara Resende
postado em 20/09/2026 06:00 / atualizado em 20/09/2026 06:00
Estudantes conferindo a lista de aprovação: entre 2004 e 2025, foram registrados 14.916 alunos cotistas, sendo 14.916 de escolas públicas e 1.527, negros -  (crédito: Thiago Silva )
Estudantes conferindo a lista de aprovação: entre 2004 e 2025, foram registrados 14.916 alunos cotistas, sendo 14.916 de escolas públicas e 1.527, negros - (crédito: Thiago Silva )

O Programa de Avaliação Seriada (PAS), da Universidade de Brasília (UnB), aplicou a primeira prova em 1996. Três anos depois, em 1999, os primeiros estudantes ingressaram na universidade por meio da avaliação seriada. De lá para cá, 53.189 alunos ingressaram na UnB por meio do programa. Mais de 1,6 milhão de inscrições foram registradas ao longo de 30 anos, com média de 45 mil a 50 mil candidatos por ano, segundo o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe). 

Os dados referentes às políticas de cotas mostram que, entre 2004 e 2025, foram registradas 16.443 matrículas por meio de reserva de vagas, das quais 14.916 são de escolas públicas e 1.527 destinadas a pessoas negras. A UnB foi a primeira universidade federal do Brasil a adotar cotas raciais no vestibular, em 2004, reservando 20% das vagas a candidatos negros. O PAS incorporou cotas 10 anos depois, em 2014 (5% para pessoas negras), ampliadas em 2015 para 37,5% das vagas de estudantes de escolas públicas. No primeiro semestre de 2026, a universidade preencheu 95% das vagas oferecidas, o melhor resultado da série histórica recente. 
A mudança mais importante ocorreu em 2017: a UnB passou a destinar metade das vagas de graduação, em todos os cursos, aos aprovados pelo PAS, que deixou de ser alternativa ao vestibular para se tornar o principal mecanismo de ingresso, posição mantida até hoje. Em 2026, a Resolução 130/2026 determinou que, a partir de 2029, a oferta de vagas será concentrada no primeiro semestre letivo. 

O que é o PAS 

O PAS substitui a lógica do vestibular tradicional — uma prova num único domingo — por três exames, um ao final de cada ano do ensino médio. Mais do que um processo seletivo, acompanha o estudante ao longo dos três anos do ensino médio, a partir de obras de referência (livros, filmes, músicas e outras produções culturais) que servem de fio condutor para questões que circulam por diferentes áreas do conhecimento. 
Para o decano de Ensino de Graduação da UnB, Tiago Coelho, nesses 30 anos, o PAS se consolidou como uma das principais portas de entrada da UnB. “Mais do que uma forma de ingresso, ele criou uma relação permanente entre a Universidade e a educação básica, o que estava entre seus objetivos desde a criação” 
“O desafio, agora, é renovar o PAS para os próximos 30 anos: ampliar sua presença e suas oportunidades para estudantes da escola pública, reduzir desigualdades de acesso e fortalecer ainda mais a relação da Universidade com professores e estudantes da educação básica”, afirma o decano. 

Datas marcantes 

Em 1985, durante a redemocratização do país, a UnB começou a discutir um novo modelo de ingresso que avaliasse o estudante ao longo do ensino médio, em vez de uma única prova. Era só uma ideia, ainda sem formalização. À frente da proposta estava o professor Lauro Morhy, futuro reitor da UnB (1997-2005). A implantação foi viabilizada no governo de Cristovam Buarque, que deu apoio à proposta da universidade.
No ano seguinte, a ideia virou um documento formal da Comissão Permanente de Vestibular da UnB, assinado por Morhy e por mais quatro professores. O texto prometia diluir a pressão psicológica do vestibular tradicional e permitir acompanhar o desempenho do estudante ao longo dos anos, não apenas em um único domingo de prova. Quase 10 anos depois, em 1995, o programa foi oficialmente instituído. O PAS já existia no papel, mas ainda não havia sido aplicado. Em 1996, ocorreu a primeira prova, marco que o Cebraspe considera o início efetivo do programa. 
Em 1999, os primeiros 991 aprovados ingressaram na UnB, o que confirmou que o modelo funcionava. A universidade tornou-se, assim, a primeira do país a adotar um sistema de avaliação seriada para o acesso à graduação. 
“O PAS é uma forma de ingresso, mas também uma ponte entre a UnB e a educação básica. Essa ponte, talvez, seja o seu maior patrimônio”, resumiu a diretora de Inovação para o Ensino de Graduação da UnB, Juliana Dias
* Estagiário sob a supervisão de Ana Sá 

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