30 anos do PAS

Muito além da prova: conheça as ações que estão levando a rede pública de vez para dentro da UnB

Para celebrar os 30 anos do PAS, universidade e Cebraspe lançam videocast e capacitam professores do DF para guiar jovens e provar que o ensino superior é para todos

João Pedro de Lara Resende
postado em 20/09/2026 06:00 / atualizado em 20/09/2026 06:00
Videocast UnB Cebraspe PodVir UnB -  (crédito: Divulgação/Cebraspe)
Videocast UnB Cebraspe PodVir UnB - (crédito: Divulgação/Cebraspe)

Para marcar os 30 anos da primeira prova, a Comissão do PAS preparou uma lista de 30 ações. Entre elas estão o Podvir UnB, podcast lançado em junho no Beijódromo para apresentar a rotina universitária a quem ainda está no ensino médio; o Agente Ingresso, projeto que capacita professores da rede pública a orientar alunos sobre as formas de entrada na universidade; a exposição “PAS 30 anos: a história em três etapas”, no Espaço Memória do SG12; e um evento de encerramento, com data provável para 15 de dezembro. 

“O PAS não é uma prova, é um processo. Antes, tínhamos um episódio na vida da pessoa; era a única oportunidade de se dar bem. O PAS diluiu esse conteúdo para que o estudante se prepare em três anos”, resumiu o coordenador de Avaliações Práticas e Específicas do Cebraspe, Marcos Vinícius do Nascimento, em entrevista ao Correio. 
Do lado da UnB, a leitura é semelhante. “Quando conectamos o estudante ao PAS, estamos mostrando a cara da UnB: uma universidade transdisciplinar, na qual ele pode cursar uma disciplina de outro curso, mesmo estando em um curso determinado. Essa flexibilidade curricular se reflete em uma prova diferenciada”, diz a diretora de Inovação para o Ensino de Graduação, Juliana Dias. 
Mas a jornada rumo ao ensino superior ainda esbarra na desinformação e na insegurança dos estudantes. Para encurtar a distância até o câmpus, UnB e Cebraspe atuam em duas frentes do programa Vem pra UnB: o videocast Podvir UnB e o projeto de extensão Agente Ingresso.

Universidade nas telas 

Lançado em 12 de junho de 2026, o Podvir UnB é uma ação conjunta da Coordenação de Inovação em Educação (CIEd) e do Cebraspe. Disponível no YouTube, Spotify e Deezer, o programa é apresentado pelo professor Marcelo Henrique Freire Cruz, do Colégio da Polícia Militar do Distrito Federal. Com episódios de 1h40, as pautas nascem das dúvidas dos estudantes nas redes sociais. “A gente tenta humanizar a universidade, mostrar que é composta por pessoas com histórias de superação”, resume Juliana Regina Avelar da Nóbrega, coordenadora da CIEd. 
Recentemente, o programa celebrou os 30 anos do PAS com Rogério Basali, ex-supervisor do Cebraspe, e Anderson da Mata, aprovado na primeira turma de 1999 e hoje professor de letras da UnB. A equipe também prepara cortes de 10 minutos para uso em sala de aula. 

A vivência na prática 

Nas escolas, a aproximação se concretiza por meio do Agente Ingresso, que orienta professores sobre o PAS e o vestibular, desde a isenção de taxa até o calendário de provas. A formação contemplou 186 profissionais do DF com certificação, leitura de editais e visita institucional ao Cebraspe. 
Rebeca Cavalcanti Costa do Nascimento, 36 anos, professora de espanhol no Centro de Ensino Médio (CEM) 01 do Gama, é uma das agentes. “Quando soube de um curso com um objetivo tão palpável, quis me inscrever na mesma hora”, relata a docente, que sentia falta dessa orientação oficial desde 2018. 
No CEM 01, as obras literárias exigidas pelo PAS são incluídas no planejamento e constam das provas bimestrais. Mesmo assim, Rebeca nota queda na adesão no terceiro ano devido aos custos, ao cansaço da maratona de exames e à insegurança dos jovens. Para combater o distanciamento, a escola organiza caravanas ao câmpus Darcy Ribeiro. 
Na edição de 2025, os alunos usaram camisas pretas, cordões neon para identificação e copos reutilizáveis a menos de R$ 3 cada, financiados de forma colaborativa. Ex-alunos da escola atuaram como monitores. 
Rebeca ouve dúvidas básicas no trajeto: “Tem lanche?”, “Qual a mensalidade?”. “Que a UnB é gratuita os surpreende, mas o que mais choca é ver a dimensão da universidade”, diz. 
Primeira da família a cursar a instituição, onde fez letras (português como segunda língua e espanhol), ela usa a própria trajetória como exemplo. Capacitada pelo Agente Ingresso, incluiu uma agenda intensa de visitas à UnB em setembro. Para quem acha o ensino superior público inacessível, declara: “Só quem conhece a UnB sabe que é um mar de sonhos e possibilidades. Não existe uma UnB que não seja para você.” 
No primeiro semestre de 2026, a UnB preencheu 95% das vagas oferecidas, o melhor resultado da série histórica recente. “O PAS é uma forma de ingresso, mas também uma ponte entre a UnB e a educação básica. Essa ponte, talvez, seja o seu maior patrimônio”, resume Juliana Dias. 
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá 

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