
O chefe do Poder Judiciário do Irã, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, anunciou, nesta quarta-feira (14/1), que os julgamentos dos manifestantes presos devem ser públicos e com a presença da imprensa. Nas redes sociais, Mohseni-Ejei declarou que o objetivo é informar o povo sobre “os detalhes e a dimensão das ações que cometeram, bem como sobre suas afiliações e conexões”. O comunicado se dá após visita dele a uma prisão na capital Teerã.
Segundo o líder, a agilidade nos julgamentos é uma demanda da população. “As pessoas esperam, com razão, que os responsáveis pelos crimes mais hediondos e cruéis nas ruas e vielas sejam julgados e punidos o mais rapidamente possível”, escreveu em outra postagem no X. Ele anunciou ainda que ordenou a adoção de medidas para “vingar os mártires” mortos durante os protestos.
Ainda nesta quarta, está marcada a execução de Erfan Soltani, 26 anos, preso durante os protestos no país. Ele foi preso em casa e condenado à morte por enforcamento em um julgamento considerado rápido e obscuro. Segundo a ONG de direitos humanos Hengaw, a família de Erfan foi privada de notícias sobre ele. Não há confirmação se a pena já foi executada.
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Não há um número oficial de quantas pessoas foram detidas ou mortas durante a repressão das forças iranianas. Desde o início das manifestações, a estimativa é de que cerca de 2.403 manifestantes foram mortos, segundo a organização Hrana. Entre eles, 12 menores e 9 civis que não tinham relação com os atos.
Já a Iran Human Rights (IHR) estima que a repressão iraniana provocou a morte de 3.428 manifestantes e prendeu cerca de 10 mil.
Somada ao uso da força e prisões em massa, o governo do Irã continua o bloqueio da internet no país e corte da comunicação com outros Estados. A manifestação, que começou como uma crítica aos custo de vida, está no 18º dia, uma das maiores desde o início do regime teocrático em 1979 e com uma repressão estatal sem precedentes.

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