
A presidente da Comissão da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirma que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que será assinado neste sábado (17/1), em Assunção, representa uma escolha clara pelo diálogo, pela cooperação e pelo multilateralismo em um cenário internacional marcado por tensões. Segundo ela, o tratado transforma a relação entre os dois blocos em uma parceria estratégica de longo prazo.
Em discurso durante a cerimônia, que ocorre neste momento, Von der Leyen destacou o simbolismo da capital paraguaia, local onde também foi firmado o tratado que deu origem ao Mercosul. Para a dirigente europeia, Assunção simboliza um momento histórico em que países da América do Sul optam pela integração, rejeitam rivalidades e reafirmam a democracia como eixo da cooperação regional.
“Hoje, estamos registrando um documento muito importante. Ele é o símbolo de uma nova parceria entre o Mercosul e a Europa”, afirma. A presidente da Comissão lembra que as negociações se estendem por cerca de 25 anos, atravessam diferentes governos e exigem intenso esforço político até os momentos finais para que o acordo seja concluído.
Von der Leyen ressaltou também que o tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de pessoas e uma parcela próxima de 20% do Produto Interno Bruto global. Para ela, o entendimento envia uma mensagem inequívoca ao cenário internacional. “Escolhemos a cooperação em vez do isolamento, o comércio em vez de tarifas, e uma parceria produtiva e duradoura”, diz.
A dirigente europeia enumera três pilares centrais do acordo. O primeiro, segundo ela, são os benefícios econômicos diretos. Atualmente, a União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul e o principal investidor estrangeiro na região. O tratado prevê a eliminação de tarifas, a redução de barreiras e a ampliação do acesso a compras governamentais, além da criação de um ambiente regulatório mais previsível para investimentos.
Von der Leyen destaca que o acordo beneficia empresas de ambos os lados, incluindo cerca de 60 mil companhias europeias que já exportam para o Mercosul — metade delas pequenas e médias empresas. “Isso gera empregos, oportunidades e prosperidade para nossos cidadãos”, afirma.
O segundo ponto ressaltado foi o compromisso ambiental. Segundo a presidente da Comissão da UE, o acordo incorpora um capítulo robusto sobre comércio e desenvolvimento sustentável, com compromissos voltados à proteção ambiental e à transição para a neutralidade climática. A Europa passa a ter acesso a insumos estratégicos para sua transição verde, enquanto investimentos europeus apoiam os países do Mercosul nesse processo.
Já o terceiro aspecto destacado é o peso geopolítico do tratado. Para Von der Leyen, o acordo cria uma plataforma para que Mercosul e União Europeia atuem juntos em temas globais, como a proteção ambiental, o fortalecimento da competitividade e a reforma da governança internacional. “Quando duas regiões como as nossas falam com uma só voz sobre questões globais, o mundo escuta”, afirma.
Ao final, a dirigente recorre à cultura para reforçar os laços entre os continentes, ao citar o escritor paraguaio Augusto Roa Bastos, que viveu parte da vida na Europa e ajudou a difundir a literatura latino-americana e a língua guarani. Para ela, a trajetória do autor simboliza a conexão profunda entre europeus e sul-americanos, construída a partir de valores, histórias e projetos comuns. “Hoje, transformamos essa amizade em uma parceria mais forte entre a Europa e o Mercosul”, conclui, ao agradecer a hospitalidade do Paraguai e celebrar o que define como uma nova etapa na relação entre os dois blocos.
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