Assinatura Mercosul-UE

Peña exalta liderança de Lula e chama acordo Mercosul–UE de "histórico"

Presidente do Paraguai afirma que entendimento só foi possível graças ao diálogo e cita o brasileiro como peça-chave da negociação; assinatura ocorreu em Assunção

O presidente do Paraguai, Santiago Peña Palacios, enalteceu Lula como um articulador essencial para a assinatura do  acordo de livre comércio entre os blocos econômicos Mercosul e União Europeia. -  (crédito: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente do Paraguai, Santiago Peña Palacios, enalteceu Lula como um articulador essencial para a assinatura do acordo de livre comércio entre os blocos econômicos Mercosul e União Europeia. - (crédito: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña Palacios, destacou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que será assinado neste sábado (17/1), em Assunção. Em discurso na cerimônia, Peña afirmou que o entendimento não teria sido alcançado sem a atuação do chefe do Executivo brasileiro e classificou o momento como um marco histórico para as duas regiões.

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“Não posso deixar de mencionar aqui a um grande e querido, hoje lastimosamente ausente, sem o qual não teríamos chegado a este dia. Refiro-me ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou, sob aplausos. Para o paraguaio, a negociação simboliza a vitória do diálogo e da cooperação sobre impasses que se arrastaram por mais de duas décadas.

A assinatura ocorre na capital paraguaia porque o país exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul. A escolha do local também remete à origem do bloco: foi em Assunção que, no início da década de 1990, os países sul-americanos firmaram o tratado que deu nascimento ao Mercosul. Hoje, o grupo é liderado em sistema de rodízio por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — este último será o próximo a assumir o comando.

Sem Lula no evento, o Brasil está sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera, porém, o presidente brasileiro se reuniu no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro é visto por diplomatas como parte da estratégia para consolidar o protagonismo político do Brasil como principal fiador do acordo.

No discurso, Peña ressaltou o simbolismo de Assunção como “berço da integração” sul-americana e afirmou que o tratado demonstra que “o caminho do diálogo, da comunicação e da fraternidade é o único possível”. Ele recorreu à cultura guarani para ilustrar a importância da linguagem e do entendimento entre os povos, dizendo que o acordo representa a superação das “trevas primordiais” do isolamento e da desconfiança.

Segundo o presidente paraguaio, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 800 milhões de pessoas e concentram um Produto Interno Bruto superior a US$ 20 trilhões, o que torna o pacto o maior acordo comercial já negociado pelo bloco sul-americano e um dos mais relevantes da história europeia. “Em um cenário global marcado por tensões, este passo envia uma mensagem clara em favor do comércio como instrumento de cooperação e crescimento”, afirmou.

O aval político europeu foi consolidado no início do mês, quando o Conselho Europeu aprovou o tratado após formar maioria qualificada entre os 27 países do bloco. A decisão abriu caminho para a assinatura formal, mas o acordo ainda precisará passar pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos nacionais dos países do Mercosul para entrar em vigor.

Ao final, Peña evitou triunfalismo e lançou um desafio aos líderes dos dois continentes. “Perdemos muito tempo para chegar até aqui e poderíamos ter ido além. Precisamos olhar o futuro com mais coragem e audácia”, disse. Para ele, Europa e América do Sul devem assumir papel ativo na construção de uma ordem internacional baseada em mais cooperação, integração e humanidade.

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Por Wal Lima
postado em 17/01/2026 13:13
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