
As citações ao ex-príncipe Andrew Mountabatten Windsor nos arquivos sobre Jeffrey Epstein — pedófilo e traficante sexual — impactaram o Reino Unido e abriram uma crise no governo e na família real britânica. O rei Charles III "deixou clara a sua profunda preocupação com as acusações que continuam vindo à tona a respeito do comportamento" do irmão. De acordo com o Palácio Real, o monarca está "pronto para ajudar" nas investigações, caso a polícia solicite.
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Herdeiro imediato ao trono, o príncipe William, e sua esposa, Catherine Middleton, também externaram "profunda preocupação" com os últimos dados sobre os crimes cometidos por Jeffrey Epstein. Mensagens de e-mail divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sugerem que Andrew pode ter repassado ao criminoso sexual informações potencialmente confidenciais enquanto o então príncipe ocupava o cargo de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.
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"O príncipe e a princesa de Gales têm estado profundamente preocupados com as revelações contínuas", afirmou o Palácio de Kensington. Segundo a nota, "os pensamentos deles continuam voltados para as vítimas". Enquanto o caso Epstein abalava Londres, em Washington, Ghislaine Maxwell — cúmplice acusada de recrutar garotas ao pedófilo — permaneceu em silêncio durante sabatina no Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, em Washington. Ela condicionou o próprio depoimento à concessão de um indulto por parte do presidente Donald Trump, que também mantinha laços de amizade com Epstein.
Em uma mensagem eletrônica enviada em 30 de novembro de 2010, cujo conteúdo a agência de notícias France-Presse teve acesso, Andrew Mountbatten-Windsor, que usava o nome de usuário "The Duke" na conta de e-mail, enviou a Epstein relatórios relativos a visitas ao Vietnã, Hong Kong, Shenzhen (China) e Cingapura. Em outro e-mail, datado de um mês antes, Andrew municiou o criminoso sexual com detalhes sobre suas próximas viagens a esses mesmos destinos. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, descartou renunciar, depois que o caso Epstein levou à demissão o seu chefe de gabinete e seu diretor de comunicação. Os desfalques no governo foram motivados pelos vínculos de Epstein com Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos nomeado por Starmer.
Vítima brasileira
A brasileira Marina Lacerda, 37 anos, abusada por Epstein dos 14 aos 17, disse que esperava o silêncio de Maxwell no Congresso. "O que mais nos assustou foi o fato de ela ter pedido a Trump que a perdoasse. Sabíamos que ela se recusaria a responder às perguntas. Acho que isso seria uma perda de tempo, pois Ghislaine mentiu várias vezes", afirmou ao Correio por telefone. "Eu vi Ghislaine uma vez. Eu estava acompanhada de uma menina, fazendo massagem em Epstein. Quando ela entrou no quarto, ele não a apresentou para nós. Não me lembro de muitos detalhes do que ocorreu naquele dia. Creio que o trauma bloqueou essa memória."
Ao conversar com outras vítimas, Marina constatou que Ghislaine Maxwell foi "pior" do que Epstein. "As meninas confiavam mais nela, pois Ghislaine era uma mulher. Ela ia perto de escolas e pegava as meninas, dizia que conhecia um cara que poderia lhes dar várias oportunidades. Ela participou de vários abusos. Em muitos casos, os abusos começaram pela Ghislaine", relatou.
Sobre o irmão do rei Charles III, Marina espera que o ex-príncipe Andrew viaje aos EUA e responda a perguntas sobre o caso. "Queremos saber o que a família real fará sobre isso. Ela vai pedir a Andrew que venha aos EUA e faça a coisa certa? Ou deixará a história quieta? Temos que ter justiça e investigações. Acho estranho que os Estados Unidos se preocupem tanto com Andrew, mas não se preocupam com os homens daqui que apareceram nos arquivos", acrescentou a brasileira.

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