
Um dos blocos de carnaval mais icônicos do Rio de Janeiro, o Boi Tolo ganhou destaque no jornal New York Times. O festejo, que completou 20 anos, atraiu uma multidão no último domingo (15)
Em matéria publicada na terça-feira (17/2), o jornal destacou a atração como uma das festas que melhor traduzem o fervor e o caos do carnaval de rua carioca, com o título “Uma festa de carnaval do Rio que não acaba nunca”.
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O bloco virou referência justamente por surgir do improviso, em 2006, após foliões irem para o tradicional bloco Boi Bumbá e descobrirem que o desfile havia sido cancelado. Em vez de voltarem para casa, os foliões decidiram “fazer do limão uma limonada” e saíram pelas ruas tocando e cantando.
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“O Boi Tolo só existe porque as pessoas querem que ele exista”, disse ao NYT, Luís Otávio Almeida, de 62 anos, um dos fundadores da festa. “O carnaval é feito nas ruas. É feito pelo povo”, finalizou.
A reportagem do jornal acompanhou o bloco do início ao fim e descreveu a experiência como uma “maratona que exige garra e resistência”.
“Ao longo do caminho, você começa a se perguntar: ‘Devo desistir? Vou desistir’”, relatou Lucas Fagundes, de 35 anos, à publicação. “É como o teste definitivo de resistência.”
Conhecido pela espontaneidade, o Boi Tolo não tem horário fixo nem trajeto definido. Ainda assim, costuma durar cerca de 12 horas e percorrer até 10 quilômetros pelo centro carioca, reunindo milhares de foliões e representando o carnaval cru e autêntico, longe da Sapucaí, mas repleto de energia popular.
“Poucas festas representam o fervor e o caos do carnaval de rua do Rio melhor do que o Boi Tolo”, descreveu o jornal norte-americano.
A publicação também destacou que o bloco “não para de andar nunca”. Mesmo em meio a beijos descritos como apaixonados, as pessoas ao redor insistem: “Beijo e anda! Beijo e anda!”.
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Uma leitora do jornal, sob o codinome Marc, comentou: “Fui casada com um carioca e passei uma década no Rio, e este texto resume vividamente tudo o que há de mais frenético e mágico nele. É um país incrível.”
A reportagem aponta ainda que a concentração começou às 6h50 da manhã e seguiu até as 16h50 da tarde, totalizando 12 horas de festa. Mesmo ao final, os foliões resistiam a ir embora: aproximavam-se da bateria e cantavam “Eu não vou embora, Eu não vou embora!”, enquanto pulavam na areia, prolongando a celebração até os últimos instantes.
*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

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