
O ataque dos Estados Unidos ao Irã na manhã deste sábado (28/2) era mais do que esperado. Essa é a avaliação do professor de relações internacionais da ESPM Gunther Rudzit. “Era mais do que esperado esse ataque, já que as posições do governo americano e iraniano eram muito distantes uma da outra. O governo americano queria que o Irã eliminasse seu programa nuclear e missilístico”, avalia.
Por outro lado, o Irã só queria aceitar negociar o programa nuclear e, mesmo assim, mantendo uma capacidade de enriquecimento, sem abrir mão do seu programa de mísseis. “Então, era impossível você ter os dois convergindo”, reforça.
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A escalada do conflito ficou clara, na avaliação de Gunther quando, na quinta-feira, saiu o anúncio de que não houve acordo. Somado a isso o fato de uma grande capacidade militar aérea ter sido transferida para o Oriente Médio pelo governo americano e as posturas do presidente Trump, o ataque era iminente. “Ele não poderia não atacar, do ponto de vista político dele. Então, começaram esses ataques”, diz o Rudzit.
Na avaliação do professor, é possível que haja protestos do governo russo, como já aconteceu, com o pronunciamento de Vladimir Putin condenando o ataque coordenado de EUA e Israel. Também era esperada a manifestação da China, feita há pouco, em defesa do Irã. O governo chinês demanda reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“Não vai passar disso, e muito provavelmente os governos da região, os governos árabes, principalmente as monarquias, vão ficar quietas ou, no máximo, soltar uma nota lamentando esse acontecimento”, analisa Gunther. “ Isso desde que esse conflito fique restrito às lideranças políticas e militares do Irã, e que não tenha uma escalada para a infraestrutura energética”, continua.
Na hipótese de os Estados Unidos atacarem a infraestrutura energética do Irã, o professor acredita que o Irã retalie, atacando a infraestrutura energética das monarquias do Golfo, mas esse cenário é improvável.
“É uma campanha que deve durar alguns dias, mas concentrada na infraestrutura militar, e, pelo que o governo do presidente Trump postou ontem, quem sabe a população iraniana volte para as ruas e derrube o regime, o que eu acho muito difícil acontecer”, finaliza.

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