Após dois meses, o governo do presidente republicano Donald Trump oficializou o encerramento da operação especial contra a imigração ilegal no estado do Minnesota (norte). A ação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, pela sigla em inglês) causou polêmica, em meio a semanas de incidentes e à morte de dois americanos, atingidos por disparos de arma de fogo. O anúncio do fim da repressão foi feito pelo czar de fronteiras Tom Homan.
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"Propus, e o presidente Trump concordou, que esta operação especial seja concluída. Foi iniciada uma redução significativa (de agentes) esta semana e isso continuará na próxima", declarou, durante entrevista na capital, Minneapolis. Milhares de agentes federais chegaram a Minnesota, em dezembro, e iniciaram batidas contra imigrantes em situação irregular.
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Apesar do recuo em Minnesota, Homan admitiu que as operações do ICE poderiam se estender para outras cidades. "Na próxima semana, vamos deslocar os agentes que estão aqui de volta aos seus locais de origem, ou para outras áreas do país onde eles sejam necessários. Mas vamos continuar fazendo com que as leis de imigração sejam cumpridas", disse. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse que a presença do ICE "tem sido catastrófica para nossos moradores e negócios, e agora é hora de um grande retorno". O governador democrata, Tim Walz, preferiu adotar um "otimismo cauteloso".
Michele Bratcher Goodwin, professora de direito constitucional da Universidade Georgetown (em Washington), explicou ao Correio que Trump e seu governo foram alertados pelos juízes de que a conduta dos oficiais do ICE em Minnesota violou a lei. "Não era ilegal permanecerem no estado. No entanto, sua atuação, que incluiu a prisão de cidadãos americanos que exerciam seu direito à liberdade de expressão e protesto, garantido pela Primeira Emenda, constituiu uma violação da lei", afirmou. Segundo ela, os agentes do ICE pressionaram a cabeça de pessoas contra a neve, as capturaram e as despiram. "Em várias outras ações, violaram normas legais. Em diversas decisões, juízes de tribunais distritais advertiram o governo Trump para que cessasse essa atividade ilegal", acrescentou a estudiosa.
Assassinatos
Goodwin lembrou que Trump esteve sob significativa pressão para retirar os agentes do ICE de Minnesota. "Ele tinha sido solicitado a fazê-lo pelo governador (Tim Walz) e por demandas vindas de americanos que vivem lá. Os assassinatos da cidadã Renee Good e do enfermeiro Alex Pretti, ambos americanos, chocaram os congressistas, tanto republicanos quanto democratas. Good e Pretti foram mortos e filmados, em circunstâncias que extrapolaram os limites da lei. Ambos assassinatos foram desumanos e resultaram em agentes do ICE impondo, na prática, sua própria pena de morte a cidadãos americanos cumpridores da lei", destacou a professora de Georgetown.
Além dos assassinatos de Good e de Pretti, um incidente comoveu os Estados Unidos. O menino equatoriano Liam Conejo, de cinco anos, foi levado com o pai para um centro de detenção no Texas. Eles receberam liberdade provisória graças à ordem expedida por um magistrado e estão à espera de julgamento. O fato de os agentes do ICE utilizarem máscaras também foi alvo de críticas de ativistas dos direitos humanos e de políticos democratas.
EU ACHO...
"Houve pressões sociais e políticas, e o presidente Donald Trump respondeu. Isso não pode ser considerado uma vitória para Minnesota. Permanece uma tragédia, dados os assassinatos ocorridos lá, além da vigilância e das ameaças às quais os moradores do estado foram submetidos."
MICHELE BRATCHER GOODWIN, professora de direito constitucional da Universidade Georgetown (em Washington)
