
Em meio a debates cada vez mais intensos sobre igualdade de gênero, um novo levantamento internacional revela que parte da juventude masculina mantém visões tradicionais sobre relacionamentos, sexualidade e papéis dentro da família. O estudo da Ipsos, realizado em dezenas de países e divulgado próximo ao Dia Internacional da Mulher, aponta uma tendência: parte significativa dos jovens homens da Geração Z ainda sustenta visões tradicionais sobre papéis de gênero no casamento.
De acordo com o estudo, 31% deles concordam que a esposa deve sempre obedecer ao marido, enquanto um terço (33%) acredita que a palavra final em decisões importantes deve ser do homem. Quase um quarto (24%) concorda, por exemplo, que uma mulher não deveria parecer muito independente ou autossuficiente — número que cai para 12% entre os homens Baby Boomers. Entre as mulheres, a concordância foi menor: 15% na Geração Z e 9% na geração Baby Boomer.
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Eles ainda apresentam o dobro de probabilidade de defender esse tipo de organização doméstica em comparação com os homens da geração Baby Boomer. Entre os mais velhos, apenas 13% concordaram que a esposa deve obedecer ao marido e 17% afirmaram que o homem deve ter a decisão final.
Entre as mulheres, a concordância é bem menor. Apenas 18% das mulheres da Geração Z disseram acreditar que a esposa deve sempre obedecer ao marido, enquanto entre as mulheres da geração Baby Boomer esse índice cai para 6%.
As diferenças também aparecem nas opiniões sobre comportamento sexual. Entre os homens da Geração Z, 21% acreditam que uma “mulher de verdade” nunca deve iniciar o sexo. Entre os Baby Boomers, apenas 7% concordaram com essa afirmação. No caso das mulheres da Geração Z, o índice é de 12%, enquanto homens e mulheres Baby Boomers registraram o mesmo nível de concordância: 7%.
Ao mesmo tempo, 59% dos homens da Geração Z afirmam que há uma expectativa social para que os homens façam muito para apoiar a igualdade de gênero. Entre os Baby Boomers, esse número é de 45%. Curiosamente, esses percentuais são mais altos do que entre as mulheres que compartilham dessa percepção, 41% e 30%, respectivamente.
Apesar de defenderem algumas ideias tradicionais, os homens da Geração Z também foram os que mais disseram considerar mulheres com carreiras bem-sucedidas mais atraentes: 41% concordaram com essa afirmação. Entre os Baby Boomers, homens e mulheres registraram 27%.
Os dados indicam ainda que esses jovens também mantêm expectativas tradicionais sobre o próprio comportamento masculino. Cerca de 30% dos homens da Geração Z acreditam que homens não deveriam dizer “eu te amo” para amigos — índice superior ao dos homens Baby Boomers (20%) e das mulheres da mesma geração (21%).
- Leia também: Mulheres lideram nova era da solteirice por escolha
Outro exemplo aparece na percepção sobre força física: 43% dos homens da Geração Z concordam que “os jovens devem tentar ser fisicamente fortes, mesmo que não sejam naturalmente grandes”. A média entre todos os entrevistados foi de 32%, enquanto entre mulheres da Geração Z o índice ficou em 28%.
Quando o tema é paternidade, 21% dos homens da Geração Z afirmaram acreditar que homens que participam do cuidado com os filhos são menos masculinos. Entre os Baby Boomers, apenas 8% compartilham dessa opinião, enquanto entre mulheres da Geração Z o número é de 14%.
Kelly Beaver MBE, Diretora Executiva da Ipsos no Reino Unido e na Irlanda, afirmou: “A pesquisa deste ano mostra que estamos testemunhando uma grande renegociação de como homens e mulheres desempenham papéis de gênero na sociedade atual. Particularmente entre a Geração Z, nossos dados revelam uma dualidade interessante: eles são o grupo com maior probabilidade de concordar que mulheres com carreiras de sucesso são mais atraentes para os homens, mas, simultaneamente, também são os que mais concordam que uma esposa deve sempre obedecer ao marido e que uma mulher nunca deve parecer autossuficiente ou independente demais.”
“Essa dualidade de perspectivas abre um diálogo vital sobre como as normas de gênero estão sendo reformuladas, destacando a complexa interação entre modernidade e tradição e nos incentivando a aprofundar os fatores culturais, sociais e econômicos que influenciam essas crenças”, continuou. “Nosso objetivo deve ser fomentar conversas inclusivas que promovam a conscientização e a aceitação dos diversos papéis de gênero, pavimentando o caminho para uma sociedade mais equilibrada e equitativa e um futuro mais livre e igualitário para todos.”
A professora Heejung Chung, diretora do Instituto Global de Liderança Feminina da King’s Business School, acresentou: “É profundamente preocupante ver normas de gênero tradicionais persistindo hoje em dia, e ainda mais preocupante que muitas pessoas pareçam estar pressionadas por expectativas sociais que não refletem, na verdade, o que a maioria de nós acredita.”

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