
Nesta quarta-feira (11/3), a jornalista paraguaia Carmiña Masi foi expulsa do reality show Gran Hermano, versão argentina do reality show Big Brother, após fazer comentários racistas contra a participante Jenny Mavinga.
A decisão foi anunciada ao vivo pelo programa, que afirmou que a jornalista ultrapassou os limites do jogo e que esse tipo de declaração é inadmissível.
Durante o comunicado, o "Big Boss" reforçou a posição da produção: “Todos devem ser tratados com muito respeito, independentemente da cor da pele, do gênero ou das ideologias. A intolerância e a discriminação não fazem parte do espírito deste jogo”.
- Leia mais aqui: O escândalo que levou à demissão do chef estrelado de um dos melhores restaurantes do mundo
As falas de Carmiña repercutiram rapidamente nas redes sociais. Durante a tarde, enquanto Jenny dançava com outros participantes na área externa da casa, a jornalista se referiu a ela diversas vezes como “escrava recém-comprada”. Em um dos momentos, afirmou: “Tem uma escrava ali, se você quiser ver, acabaram de tirá-la da gaiola”.
Veja o momento:
Carmiña sobre Mavinga: "Parece que a la negra recién la compraron y viene a hacer un show, acaba de bajarse del barco. Mirá el otro, el monito del barco. Lo único que puede hacer ahora es mover el culo. Manu, allá hay una esclava por si querés ver, la sacaron de la jaula recién" pic.twitter.com/ojISEaPrAD
— TRONK (@TronkOficial) March 11, 2026
Alguns participantes riram das declarações no momento em que foram feitas, pouco depois, a produção do programa interveio na fala e Carmiña tentou se justificar, alegando que houve um problema de interpretação.
Após analisar o caso com especialistas, a produção decidiu pela expulsão da jornalista. A família de Jenny também informou que pretende processar Carmiña judicialmente.
- Leia também: Brasileira desaparecida na Inglaterra: bolsa encontrada abre nova frente de investigação para polícia
O marido da participante vítima de ofensa, Damián, falou sobre o caso em entrevista ao programa de TV DDM América, segundo ele, os comentários ultrapassaram os limites do jogo e a jornalista deverá responder na Justiça.
Até a publicação desta matéria, apenas a equipe responsável pelas redes sociais de Carmiña havia se pronunciado. Os administradores afirmaram que o episódio não define a trajetória da jornalista e disseram preferir que ela mesma se manifeste sobre o ocorrido.
- Leia também: As mulheres de batalhão curdo feminino que se preparam para lutar contra o regime iraniano
Racismo na Argentina
A legislação argentina trata o racismo de forma menos rígida na legislação. Em geral, casos envolvendo ofensas raciais são enquadrados como “injuria” (ofensa) ou “discriminação”.
Entre as punições possíveis estão indenizações às vítimas na esfera civil, sanções administrativas, como medidas disciplinares em ambientes de trabalho ou instituições, e em situações mais graves, penalidades criminais.
Na prática, porém, muitos processos acabam resultando em multas ou reparações. Esse cenário ajuda a explicar por que episódios de discriminação racial, como o envolvendo Jenny Mavinga, costumam gerar forte repercussão social no país e reacendem debates sobre a necessidade de endurecer a legislação contra o racismo.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
Saiba Mais

Mundo
Mundo
Mundo
Mundo
Mundo
Mundo