
Filmar ou compartilhar imagens dos ataques com mísseis e drones no território dos Emirados Árabes Unidos pode resultar em prisão e multa equivalente a cerca de R$ 280 mil. Pelo menos 21 pessoas, incluindo um turista britânico de 60 anos, preso na segunda-feira passada (9/3), foram acusadas com base na rígida lei de cibercrime do país após registrar e divulgar vídeos dos bombardeios relacionados ao conflito envolvendo os EUA, Israel e o Irã.
O caso veio à tona depois que autoridades emiradenses intensificaram o monitoramento de publicações nas redes sociais durante a escalada militar na região. Segundo organizações que prestam assistência jurídica a estrangeiros detidos no país, o grupo é acusado de filmar e compartilhar imagens dos ataques realizados com mísseis e drones iranianos que passaram pelo céu de Dubai.
Entre os investigados está um turista britânico de 60 anos que teria gravado o momento em que um míssil sobrevoou a cidade. De acordo com relatos divulgados à imprensa internacional, ele apagou o vídeo após ser orientado pela polícia, mas ainda assim foi detido pelas autoridades locais. As informações são da CNN.
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Nos Emirados Árabes Unidos, a legislação de cibercrime proíbe a divulgação de conteúdos que possam espalhar rumores, causar pânico ou comprometer a segurança pública. A punição prevista pode chegar a pelo menos dois anos de prisão, além de multa de até 200 mil dirhams (cerca de R$ 280 mil).
A regra não se limita a quem grava os vídeos. Pessoas que apenas repostam ou comentam imagens consideradas sensíveis também podem ser responsabilizadas criminalmente, sobretudo em momentos de crise ou conflito militar.
O governo tem emitido alertas via TV, rádios, e-mails, mensagens de texto e anúncios de informação pública, dizendo: "Fotografar ou compartilhar locais de segurança ou críticos, ou repostar informações não confiáveis, pode resultar em ação legal e comprometer a segurança e estabilidade nacional. O cumprimento ajuda a manter a comunidade segura e estável".
E outro alertava as pessoas para "pensar antes de compartilhar. Espalhar rumores é crime".
UAE authorities warn against photographing, posting, or sharing images of incident sites or projectile damage as well as government buildings and diplomatic missions. British nationals are subject to UAE laws, violations may lead to fines, imprisonment, or deportation. #UKUAECR26
— UK in UAE ???????????????? (@ukinuae) March 13, 2026
Em uma publicação no X, nesta sexta-feira (13/3) a Embaixada do Reino Unido nos Emirados Árabes Unidos afirmou: "As autoridades dos EAU alertam contra fotografar, postar ou compartilhar imagens de locais de incidentes ou danos causados por projéteis, bem como prédios governamentais e missões diplomáticas. Cidadãos britânicos estão sujeitos às leis dos EAU, violações podem levar a multas, prisão ou deportação".
Autoridades do país afirmam que as restrições têm como objetivo evitar a divulgação de informações que possam comprometer operações de segurança ou aumentar o clima de tensão entre a população durante ataques e emergências.
Mais de 1.800 drones e mísseis foram lançados contra os EAU desde o início da guerra, disse o Ministério da Defesa do país no X na sexta-feira. Seis pessoas foram mortas e 141 ficaram feridas.
Desde o início da escalada do conflito no Oriente Médio, jornalistas têm enfrentado condições cada vez mais restritivas para trabalhar nos países da região. De acordo com a AFP, autoridades em diferentes nações que se tornaram alvos retaliatórios do Irã passaram a limitar a circulação de repórteres e a cobertura fotográfica ou de vídeo ao vivo em áreas consideradas sensíveis. "Em alguns casos, governos e até grupos armados proibiram a divulgação de imagens de ataques com mísseis ou drones, além de registros feitos em locais ligados à segurança nacional".

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