ORIENTE MÉDIO

Casal brasiliense fica retido no Oriente Médio após ataques no Irã

Bruna Souza Costa e Silva Moreira e Marcos Moreira ficaram retidos em Mascate após aeronave ser redirecionada em meio a ataques no Irã; retorno depende da reabertura do espaço aéreo do Catar

Um casal de Brasília está retido em Mascate, capital de Omã, após o voo em que viajavam ser desviado em razão dos ataques no Irã e dos desdobramentos militares na região. Bruna Souza Costa e Silva Moreira e Marcos Moreira retornavam de Hanói, no Vietnã, com destino a Doha, no Catar, quando, cerca de 30 minutos antes do pouso, foram informados pelo comandante sobre a mudança de rota. O episódio ocorreu em 28 de fevereiro.

“Mais ou menos 30 minutos antes do avião pousar em Doha, o comandante avisou que teria que fazer um desvio e que a gente estava indo, na verdade, para o aeroporto de Mascate, em Omã. Na hora que ele falou isso, todo mundo já ficou um pouco apreensivo”, relatou Bruna ao Correio. Segundo ela, os passageiros associaram imediatamente a decisão ao cenário internacional e à possibilidade de conflito na região.

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Após o pouso, a aeronave permaneceu aproximadamente oito horas parada, sem que passageiros ou tripulação tivessem informações claras sobre a situação. “Até os próprios tripulantes não sabiam o que estava acontecendo”, disse. Sem acesso à internet, o casal conseguiu avisar familiares no Brasil apenas por mensagens de texto.

De acordo com os relatos, ao menos nove aviões foram desviados para Mascate, o que provocou sobrecarga no aeroporto. O desembarque foi seguido por longas filas na imigração e horas de espera até a reacomodação. O pouso ocorreu por volta das 14h, mas Bruna e Marcos só chegaram ao hotel, custeado pela companhia aérea, por volta das 4h da manhã do dia seguinte.

“É um processo longo, mas no geral foi organizado. A gente está em segurança”, afirmou Bruna. Apesar da estrutura oferecida, o casal enfrenta limitações práticas: as malas permanecem na aeronave, impossibilitando o acesso a todos os pertences. “A maior aflição é em relação a querer voltar para casa, querer voltar para a família, saber quais são as alternativas”, disse.

O retorno ao Brasil depende da reabertura do espaço aéreo do Catar. O casal tem um voo agendado para a noite desta segunda (2/3), mas a confirmação é incerta. “Toda a nossa volta depende do espaço aéreo no Catar reabrir e a gente não sabe quando isso vai acontecer”, afirmou. Segundo eles, o voo de conexão em Doha já foi adiado três vezes e pode sofrer novo revés.

Embora o espaço aéreo de Omã esteja aberto, as opções de saída são restritas. O casal relata que o país conta com apenas duas companhias aéreas operando e que os voos estão reduzidos, o que torna improvável conseguir uma alternativa imediata. “Praticamente impossível conseguir um voo saindo daqui de Omã atualmente”, disseram.

A embaixada foi acionada e respondeu por WhatsApp e e-mail, informando que acompanha a situação e orientando o casal a seguir as recomendações das autoridades locais. Segundo Bruna, a representação diplomática indicou que, até o momento, a situação em Omã é de normalidade. No hotel onde estão hospedados, funcionários também afirmaram que o país não costuma registrar conflitos e que o ambiente é considerado tranquilo.

O casal afirma não ter identificado outros brasileiros na mesma situação. “A gente inclusive nem ouviu português em nenhum momento desde que desceu do avião”, relatou ela.

Em publicação nas redes sociais, a embaixada alertou para a necessidade de cautela diante da escalada militar na região e destacou que decisões sobre viagens ou permanência no país devem ser tomadas individualmente, considerando o caráter dinâmico do cenário. O órgão também orientou que viajantes acompanhem os comunicados das autoridades locais e busquem informações diretamente com as companhias aéreas, ressaltando que não é possível prever eventuais fechamentos de fronteiras, que podem ocorrer sem aviso prévio.

Nota na íntegra

“Os desdobramentos das ações militares ocorridas neste fim de semana no Irã e, posteriormente, em diversos países da região, recomendam atenção e cautela.

Recomenda-se acompanhar de perto os pronunciamentos das autoridades omanitas, a fim de se precaver e adotar eventuais procedimentos de segurança sugeridos.

As decisões sobre viagens e/ou permanência no país devem ser tomadas de forma individual. Diante do dinamismo da situação, orienta-se buscar informações diretamente junto às companhias aéreas.

No que se refere às fronteiras, não é possível prever eventuais fechamentos, que podem ocorrer sem aviso prévio, a qualquer momento.”

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