Ao receber a imprensa na sede da representação diplomática, em Brasília, o embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadirli, acusou os Estados Unidos de usarem as negociações sobre o programa nuclear iraniano como uma farsa para mudar o regime. Ele afirmou que o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, não ficará sem reposta. "Certamente, vamos definir as consequências no campo da batalha", disse. Para o diplomata, a retaliação do Irã contra os interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio é compreensível.
"Quando você é atacado a partir de uma base, não pode somente olhar o que está acontecendo", destacou. Ele negou que a reação iraniana tenha os países vizinhos como alvos. "As nossas ações são contra as bases militares dos EUA e os centros do regime sionista. Isso não se considera um ataque a países", acrescentou Nekounam. O embaixador confirmou que Khamenei negou-se a buscar refúgio em um abrigo antibombas por entender que a maioria dos 93 milhões de iranianos não teria como se proteger. O representante do regime teocrático islâmico no Brasil também agradeceu ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva por condenar os ataques dos EUA e de Israel.
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Segundo ele, esse é um gesto "valoroso", "algo que dá valor ao ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos". Nekounam enviou um recado aos americanos e israelenses. "Entramos nessa guerra para permanecer firmes e de pé. É o nosso direito. Fomos atacados e estamos nos defendendo, com o direito legítimo", advertiu.
A morte de Khamenei
"Estamos no meio de uma guerra. Os Estados Unidos e o regime sionista se apoiaram e começaram as agressões e ataques usando as negociações (sobre o programa nuclear). A ação resultou no assassinato do líder supremo do Irã. Certamente, vamos definir as consequências no campo da batalha. Esperamos que quem começou essa guerra cruel saiba que, por meio de matança e de assassinato, não atingirá seus objetivos. Aconselharam ao líder que ele ficasse no abrigo, mas sua decisão foi contrária. A visão dele era a de que, como toda a população iraniana não tinha abrigo antiaéreo, ele também não o usaria. Por esse motivo, ele estava em seu local de trabalho, bem perto de onde morava. Lá ele foi martirizado, quando estava em jejum, devido ao Ramadã (mês sagrado do islã). Aos 86 anos, o nosso líder coordenava uma reunião importante, quando foi atacado."
Direito à defesa
"Quando um país grande e soberano é atacado, os lados que atacaram esse país certamente têm que esperar a resposta firme e sólida da outra parte. Para defesa da nossa população, não deixaremos de exercer os nossos direitos de maneira alguma."
Tomada de poder
"O Irã é um país soberano por completo. A gestão de administração do país está em vigor de forma plena. Durante os protestos recentes, mais de 30 milhões de pessoas vieram às ruas para apoiar o governo e a ordem na República Islâmica do Irã."
Diálogo com os EUA
"Para responder se o Irã recuará, convido-lhes a conhecerem a história, que remonta a mais de 6 mil anos. Entramos nessa guerra para permanecer firmes e de pé. É o nosso direito. Fomos atacados e estamos nos defendendo, com o direito legítimo. Na história contemporânea do Irã, se derem uma olhada, entenderão essas palavras."
O apoio do Brasil
"Agradecemos a condenação do ato de agressão dos EUA e do regime sionista pelo governo brasileiro. Vemos essa ação, da parte do governo brasileiro, como algo valoroso, algo que dá valor ao ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos."
A crítica do Itamaraty à retaliação iraniana
"Sobre as nossas relações de amizade e irmandade com os nossos países vizinhos, não há nenhum desentendimento (com o Brasil). As nossas ações são contra as bases militares dos Estados Unidos e os centros do regime sionista. Isso não se considera um ataque a esses países mencionados. De forma clara, quando uma base militar é usada para atacar o nosso país e não pode exercer suas funções, ela será atacada e haverá respostas. Nossas relações com nossos países amigos e irmãos se mantêm de forma plena, como antes. Como mencionou o nosso ministro das Relações Exteriores, tais países precisam pressionar proprietários dessas bases militares para retirarem e pararem de atacar o território iraniano a partir delas."
Fechamento do Estreito de Ormuz
"Quando uma guerra ocorre, muitas coisas são envolvidas. O nosso líder supremo havia alertado, de forma veemente, que as relações sobre o Estreito de Ormuz. O alerta dele foi de que, se os Estados Unidos e o regime sionista atacassem o Irã, aconteceria uma guerra regional. Infelizmente, eles começaram seus ataques."
Acordo sobre urânio enriquecido
"Até onde acompanhei as mensagens, publicações e entrevistas do ministro das Relações Exteriores do Omã, vi que ele mencionou que a quantidade de urânio com alta pureza seria trocada por urânio de baixa pureza. Eles (Estados Unidos) manifestaram, de forma explícita, que buscam uma mudança do regime. Usaram as negociações como uma farsa para fazer as coisas que estavam interessados."
Os EUA no mundo
"Vocês deveriam estudar, de forma detalhada, sobre as visões dos Estados Unidos durante todos esses anos. Os EUA pensam, imaginam, que são o dono do mundo. O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que alguns países, devido aos seus interesses, possam aceitar essas alegações e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, por meio de sua recondução, que ocorreu 47 anos atrás, busca a independência.
Crítica à imprensa
"As notícias que são compartilhadas por meio da principal imprensa, certamente, não são informações adequadas. O trabalho dos mainstreams, as correntes principais da imprensa, é o de influenciar as visões da opinião pública conforme seus interesses. Elas podem moldar o pensamento do presidente dos EUA. Durante as manifestações recentes no Irã, o presidente dos EUA mencionou que a cidade de Mashhad, no Irã, foi tomada. Isso mostra o nível de avaliação sobre acontecimentos no Irã."
- Leia também: Irã diz que Estreito de Ormuz foi fechado: qual é sua importância e quais podem ser as consequências
Diplomacia com vizinhos
"O que os vizinhos acham de nossa ação? Isso deve ser perguntado a eles. Nossa ação é, de certa forma, compreensível. Essa compreensão vem do fato de que, quando você é atacado a partir de uma base, não pode somente olhar o que está acontecendo."
Ataque à escola
"Vocês viram as vidas perdidas das alunas, das crianças que foram para a escola e voltaram sem vida. O governo do Irã nunca deixará de defender os direitos dessas alunas."
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