
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, coordena, nesta terça-feira (3/3), as celebrações dos 400 anos das missões jesuítas no Brasil. O marco temporal se refere ao início da ocupação jesuítica na Região Sul do país, em 1626, um processo que, segundo o ministro, moldou a cultura brasileira e influenciou a concepção de Brasília. O evento principal ocorre das 16h30 às 20h30, contando com debates sobre cidades que são patrimônio da humanidade e apresentações culturais típicas gaúchas.
Ao Podcast do Correio, Nardes contou às jornalistas Samanta Sallum e Gabriella Braz que as missões originais compreendiam 30 povos, mas que, após disputas entre os impérios de Portugal e da Espanha, e a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, sete povos ficaram em território brasileiro: Santo Ângelo, São Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São João Batista, São Lourenço Mártir e São Miguel das Missões.
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O magistrado destacou que, na época, a região era mais populosa do que São Paulo e já possuía indústrias avançadas, como a primeira fundição de ferro, em São João Batista, e a exploração da erva-mate, herança dos indígenas da etnia Guarani. “Chegou a ser mais importante e tinha mais gente do que São Paulo. E ali nasce, então, toda uma cultura missionária.”
O prefeito de São Miguel das Missões, Rodrigo Ribas (PP), estará presente na comemoração e entregará um título à família do falecido ministro do TCU Marcos Vinícius Vilaça, responsável por transformar a cidade em um Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A programação do evento terá, pela manhã, a presença de artistas missioneiros e declamações de poesias típicas da cultura gaúcha. Além disso, haverá discussões sobre as cidades que também são patrimônios históricos culturais pela Unesco. À tarde, um historiador convidado debaterá a história das missões e seu vínculo com a capital federal.
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Vínculo com Brasília
O ministro revelou um vínculo direto entre as missões e a capital federal, por intermédio de Lúcio Costa — arquiteto e urbanista responsável, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, pelo projeto urbanístico da capital federal. Costa morou por cinco anos nas missões — iniciando em 1937 — para organizar o Museu de São Miguel das Missões.
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De acordo com Nardes, essa experiência inspirou o projeto de Brasília em dois aspectos: o formato de cruz da cidade — semelhante à Cruz Missioneira — e a centralidade da Igreja — a Catedral de Brasília, localizada na Esplanada dos Ministérios; e o conceito das superquadras e a organização comunitária, que visavam replicar o espírito de solidariedade e sinergia observado nas aldeias jesuítas.
“Inclusive, no próprio Cemitério de Brasília tem uma cruz missioneira. Além disso, a cidade, na verdade, tem um formato de cruz. Dizem que é um avião, mas é uma cruz. É um simbolismo das missões, parecida com a cruz de Lorena. Essa cruz foi trazida de Israel para a Espanha em 1490”, explicou.
Confira a entrevista completa abaixo:

Cidades DF
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