ORIENTE MÉDIO

Ataque à embaixada dos EUA em Bagdá escala guerra contra o Irã

Conflito entra na terceira semana com seguidas escaladas militares; ataques atingem capital iraniana, EUA bombardeiam ilha responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã e tensão se espalha pelo Iraque

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá foi alvo de um ataque com drones, neste sábado (14/3), poucas horas depois de o presidente Donald Trump anunciar o bombardeio da ilha iraniana de Khark, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. O conflito já deixou cerca de 2 mil mortos desde o início das ofensivas, há três semanas.

A embaixada americana na capital do Iraque foi atingida durante a madrugada. Testemunhas relataram a presença de fumaça escura sobre o complexo diplomático, localizado na chamada Zona Verde, área altamente protegida que concentra embaixadas, instituições internacionais e prédios do governo.

Fontes de segurança disseram à Agência France-Presse (AFP) que o ataque foi realizado com drones. Outra autoridade mencionou também disparos de foguetes e informou que um projétil caiu próximo à pista de pouso do complexo diplomático.

O ataque ocorreu poucas horas após bombardeios em Bagdá contra posições de grupos armados iraquianos pró-Irã. Segundo autoridades locais, ao menos três pessoas morreram, entre elas uma “personalidade importante” ligada às Brigadas do Hezbollah, organização classificada como terrorista por Washington.

Esse é o segundo ataque contra a missão diplomática americana no Iraque desde o início da guerra.

O Iraque acabou sendo arrastado para o conflito depois que milícias locais alinhadas a Teerã passaram a reivindicar ataques frequentes com drones contra tropas americanas e instalações petrolíferas. Em resposta, posições dessas facções passaram a ser alvo de operações atribuídas aos Estados Unidos ou a Israel.

A escalada ocorre no mesmo momento em que Estados Unidos e Israel intensificam os bombardeios contra o Irã.

Ataque à ilha petrolífera

Na noite de sexta-feira (13/3), o presidente Donald Trump anunciou que forças americanas bombardearam a ilha iraniana de Khark, considerada estratégica para a economia do país.

Localizada no Golfo Pérsico, a ilha concentra aproximadamente 90% da exportação de petróleo do Irã, sendo uma das infraestruturas energéticas mais importantes da região.

Autoridades iranianas negaram que os ataques tenham causado danos relevantes às instalações. O bombardeio foi elogiado pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que classificou a operação como um “duro golpe” contra Teerã. Segundo ele, o conflito entrou em uma “fase decisiva”.

“Entramos na fase decisiva do conflito, entre as tentativas do regime iraniano de sobreviver enquanto impõe sofrimento crescente ao próprio povo”, afirmou Katz em pronunciamento televisionado.

O ministro também afirmou que a Força Aérea israelense conduz uma nova onda de ataques contra Teerã e outras regiões do país.

Conflito se intensifica

Mais cedo, uma explosão atingiu uma manifestação na capital iraniana, matando ao menos uma mulher, segundo autoridades locais.

Em meio à escalada militar, Washington também decidiu flexibilizar algumas sanções contra a Rússia para facilitar o escoamento de petróleo no mercado internacional, pressionado pela instabilidade no Golfo.

A decisão foi criticada pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que afirmou que a medida pode fortalecer Moscou economicamente em meio à guerra na Ucrânia.

Além disso, os Estados Unidos confirmaram neste sábado (14/3) a morte dos seis militares que estavam a bordo de um avião de reabastecimento aéreo que caiu no Iraque.

Segundo autoridades americanas, a aeronave participava de operações militares relacionadas ao conflito regional quando sofreu o acidente. As causas da queda ainda estão sendo investigadas.

Guerra entra na terceira semana

A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã entrou neste sábado na terceira semana de confrontos, com ataques simultâneos em diferentes países do Oriente Médio. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. Desde então, a guerra já deixou cerca de 2 mil mortos no Irã e não há previsão de cessar-fogo.

Além do Irã, a guerra já impacta diretamente territórios como Iraque, Síria e áreas do Golfo Pérsico, onde milícias pró-Teerã passaram a atacar bases militares americanas e instalações estratégicas.

Analistas ouvidos pela AFP avaliam que o conflito pode se expandir ainda mais caso novos países sejam arrastados para a disputa ou se ataques atingirem rotas vitais de energia, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

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