O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, usou o próprio perfil na rede social X para denunciar que uma "bomba" não detonada foi localizada muito perto da fronteira com o Equador, na região de Vereda El Amarradero, no departamento de Narino. "Investigar com profundidade esta bomba caída de um avião na fronteira colombiana com o Equador. Caiu a 100m da moradia de uma família camponesa empobrecida", escreveu Petro. "Os bombardeios na fronteira de Colômbia e Equador não parecem ser nem de grupos armados, pois eles não têm aviões, nem da força pública da Colômbia. Eu não dei esta ordem. Há 27 cadáveres calcinados e a explicação não é credível", acrescentou.
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Por sua vez, o presidente do Equador, Daniel Noboa, respondeu a Petro no mesmo ambiente virtual e negou qualquer envolvimento de seu país em um suposto bombardeio. "Desde o primeiro dia, temos combatido o narcoterrorismo em todas as suas formas: aqueles que operam nas ruas e aqueles que, desde a política ou até mesmo da função judicial, se prestam a proteger os delinquentes. Hoje, com a cooperação internacional, continuamos nessa luta, bombardeando os locais que serviram de esconderijo para esses grupos, em sua maioria colombianos que o próprio governo permitiu infiltrar-se em nosso país por negligência em suas fronteiras", afirmou. "Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos atuando em nosso território, não no seu. Não daremos um passo atrás."
A acusação de Bogotá contra Quito é um capítulo a mais da guerra diplomática, comercial e tarifária que tem se escalado entre os dois governos. Para Arturo Moscoso — diretor da Faculdade de Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidad Internacional de Ecuador (UIDE, em Quito) —, é necessário tratar a denúncia de Petro com cautela. "Não há provas conclusivas, pelo menos por enquanto, de que o Equador tenha bombardeado o território colombiano. O que existe é uma região fronteiriça extremamente complexa, onde grupos armados operam em ambos os lados e onde o Equador está conduzindo uma ofensiva militar muito intensa", explicou ao Correio.
Nesse contexto, Moscoso entende que Petro faz algo politicamente significativo. "Ele está levando a questão a um nível público e internacional, o sugere não apenas uma preocupação com a segurança, mas também uma intenção de estabelecer limites e controlar a narrativa", observou. O estudioso advertiu sobre consequências importantes do incidente, mesmo sem a sua confirmação. "Primeiro, haveria aumento da tensão diplomática entre os dois países. Segundo, existe o risco de falta de coordenação no combate ao crime transnacional, que depende precisamente da cooperação. E terceiro, qualquer incidente na fronteira poderia ser reinterpretado como agressão estatal, aumentando o risco de uma crise", disse Moscoso. Ele reconhece o risco real de uma "escalada política e militar na fronteira" e vê vários fatores sensíveis para isso: a estratégia equatoriana de mão dura contra o narcotráfico; e uma política colombiana mais orientada à negociação, com dificuldade de controle territorial.
