ORIENTE MÉDIO EM CONVULSÃO

Defesa aérea falha, e Netanyahu admite 'noite difícil'

Mísseis balísticos do Irã não são interceptados, atingem duas cidades no sul de Israel e deixam ao menos 90 feridos, sete deles em estado grave. Ministro da Educação de Israel ordena fechamento de escolas em todo o país

Duas cidades no sul de Israel foram atingidas ontem por mísseis do Irã, em um dia que viu intensificação da troca de ataques na guerra com o Irã. Um dos locais bombardeados, Dimona, fica a cerca de 14km do Shimon Peres Negev Nuclear Research Center, a principal instalação nuclear israelense. O país até hoje nunca admitiu oficialmente ter bombas nucleares, mas é tida como uma das potências atômicas mundiais. Outro foguete caiu em Arad, distante pouco mais de 40km do primeiro alvo. Até o meio da madrugada de domingo (ainda noite de sábado no horário de Brasília), os serviços de emergência de Israel confirmavam ao menos 90 feridos — sete deles em estado grave — nos dois ataques. Não há evidências de que a área nuclear tenha sido danificada no bombardeio, afirmaram oficiais da Organização das Nações Unidas.

"Foi uma noite muito difícil na batalha pelo nosso futuro", admitiu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em pronunciamento com raro tom de preocupação. E continuou: "Continuaremos a atacar nossos inimigos em todas as frentes com determinação".

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, negou que o escudo antimísseis tenha falhado e que os mísseis iranianos sejam de um novo tipo, desconhecido e que constituam uma nova e mais grave ameaça. "Os sistemas de defesa aérea funcionaram, mas não interceptaram o míssil. Investigaremos o incidente e aprenderemos com ele. Esse não é um tipo de munição especial ou desconhecido", declarou Defrin em um post no X.

O ministro da Educação de Israel, Yoav Kisch, determinou ainda na noite de ontem que o sistema de ensino do país migre para o aprendizado remoto nos próximos dias. "À luz dos ataques em Dimona e Arad, decidi que no domingo e na segunda-feira todas as exceções serão canceladas e nenhum aprendizado presencial será aprovado no sistema educacional, incluindo o cancelamento de exceções para a educação especial", informou, em nota.

Retaliação

Teerã afirma que os ataques foram uma resposta ao bombardeio, horas antes, no começo do dia, da usina de Natanz, ponto conhecido do programa nuclear iraniano. A retaliação também teria sido devido a outro ataque das forças israelenses e norte-americanas a uma instalação nuclear, a Bushehr Nuclear Power Plant, na terça-feira anterior. 

Israel nega ter atacado o local; os EUA não comentaram a alegação iraniana. Assim como na unidade israelense, aparentemente o bombardeio de Natanz não provocou danos e gerou consequências graves, como vazamentos, informou a Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU. A entidade, porém, apelou para que os países em guerra adotem "máxima contenção" em ataques militares na vizinhança de equipamentos nucleares.

A Rússia, aliada do Irã, classificou o bombardeio de Natanz como ataques "irresponsáveis", que representam "riscos reais de catástrofe em toda a região do Oriente Médio".

As potências ocidentais alegam há anos que o Irã tenta produzir uma bomba atômica, apesar de reiteradas negativas do regime dos aiatolás. Esse foi um dos motivos alegados para os ataques lançados em 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos.

No fim da noite de sábado, o Exército israelense afirmou ter atacado, em Teerã, o centro universitário Malek-Ashtar, "utilizado pelo regime terrorista iraniano para desenvolver componentes de armas nucleares".

Estreito de Ormuz

O Exército dos EUA declarou ter destruído um bunker iraniano equipado com armas que ameaçavam os envios de petróleo e gás através do Estreito de Ormuz. O chefe do comando militar americano (Centcom), o almirante Brad Cooper, afirmou que aviões de guerra "destruíram" uma instalação subterrânea na costa do Irã que armazenava mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores de mísseis móveis e outros equipamentos.

Segundo ele, isso reduziu a capacidade do Irã "de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e seus arredores".

 

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