ORIENTE MÉDIO

Israel mata comandante da Marinha do Irã, líder do bloqueio de Ormuz

Líder naval da Guarda Revolucionária desde 2018, Alireza era responsável por estratégias no Golfo e ameaças a rotas globais de petróleo

O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, foi morto em um ataque na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, segundo entrevista de autoridades israelenses ao jornal The Times of Israel, nesta quinta-feira (26/3). 

A região fica próxima ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

De acordo com fontes israelenses, Tangsiri era considerado um dos principais responsáveis pelas ações militares iranianas no Golfo Pérsico e pela estratégia de restringir o tráfego no estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global. 

Até a última atualização desta matéria, o governo do Irã não confirmou oficialmente a morte do comandante.

Papel central no conflito

Alireza Tangsiri comandava a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) desde 2018 e vinha adotando uma postura cada vez mais agressiva nas últimas semanas, em meio à escalada do conflito com Israel e os Estados Unidos. 

Ele era conhecido por ameaçar diretamente forças norte-americanas e por defender o fechamento do Estreito de Ormuz como forma de pressão geopolítica. Em declarações recentes ao jornal local Jerusalem Post, ele chegou a afirmar que instalações petrolíferas ligadas aos Estados Unidos passariam a ser tratadas como alvos militares.

Fontes apontam que Tangsiri teve papel decisivo na tentativa de bloquear a passagem de navios estrangeiros na região, movimento que provocou instabilidade no mercado global de energia e elevou o preço do petróleo.

Segundo autoridades israelenses, a ofensiva ocorreu em Bandar Abbas, principal base naval iraniana e ponto estratégico para o controle do Estreito de Ormuz. A cidade concentra operações militares e logísticas da Guarda Revolucionária voltadas ao monitoramento e eventual bloqueio da via marítima.

Ainda não está claro se o ataque foi conduzido exclusivamente por Israel ou em coordenação com forças dos Estados Unidos. 

Desde o fim de fevereiro, ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos já eliminaram diversos integrantes de alto escalão do regime.

Entre os mortos estão o ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, e outros comandantes da Guarda Revolucionária.

A estratégia busca enfraquecer a capacidade de comando e resposta do Irã, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de retaliações e de uma escalada regional ainda mais ampla, uma vez que o Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio internacional. 

Qualquer interrupção no fluxo de navios pode afetar diretamente o abastecimento global de energia.

Desde o início do conflito, o Irã chegou a declarar controle total sobre a região e restringiu a passagem de embarcações consideradas hostis, elevando custos de transporte e seguros marítimos.

 

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