
A palavra 'sicário', hoje associada a matadores de aluguel do crime organizado, tem uma origem surpreendente e muito mais antiga. O termo nasceu na Roma Antiga para descrever um grupo de rebeldes judeus que lutavam contra a ocupação romana na província da Judeia, durante o século I.
Esses homens eram conhecidos como Sicários (do latim Sicarii), um grupo radical de rebeldes que, embora frequentemente associado aos Zelotes, formava um movimento distinto. Seu nome derivava diretamente da arma que utilizavam para seus ataques: uma adaga pequena e curva chamada sica, que podia ser facilmente escondida sob as roupas.
A tática dos Sicários era se infiltrar em grandes multidões, especialmente durante festivais religiosos em Jerusalém. Escondendo a sica sob seus mantos, eles se aproximavam de seus alvos — geralmente autoridades romanas ou colaboradores judeus — e os apunhalavam de forma rápida e discreta.
Após o ataque, eles se misturavam novamente ao povo, muitas vezes se juntando aos gritos de surpresa para disfarçar. Essa estratégia de guerrilha urbana gerava um clima de terror e desconfiança, pois qualquer um no meio do público poderia ser um assassino.
Como a palavra mudou de sentido
Com o tempo, o Império Romano esmagou a rebelião judaica. A palavra 'sicário', no entanto, sobreviveu na língua latina. Ela perdeu sua conotação política original de um rebelde que lutava por uma causa e passou a ser usada de forma mais genérica.
O termo começou a designar qualquer assassino que agia de maneira furtiva e premeditada. A associação com a adaga escondida e o ataque surpresa permaneceu, mas o motivo político foi substituído pela ideia de um crime encomendado ou traiçoeiro.
Séculos depois, a palavra foi incorporada a idiomas como o português e o espanhol. Hoje, 'sicário' é usada principalmente para descrever matadores profissionais contratados por organizações criminosas, como cartéis de drogas, mantendo a essência de um assassino que age por encomenda.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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Mariana Morais
Cidades DF
Política