ORIENTE MÉDIO

Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano que inclui Hezbollah

A trégua ocorre enquanto Washington intensifica seus esforços para alcançar um acordo que ponha fim à guerra com o Irã

Soldados do exército libanês protegem o local de um ataque de drone israelense que visou um veículo na rodovia de Saadiyat, ao sul de Beirute       -  (crédito: FADEL ITANI / AFP)
Soldados do exército libanês protegem o local de um ataque de drone israelense que visou um veículo na rodovia de Saadiyat, ao sul de Beirute - (crédito: FADEL ITANI / AFP)

Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano entrou em vigor nesta sexta-feira (17, noite de quinta em Brasília) após ser anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse querer organizar um encontro entre os líderes dos dois países.

A trégua, que começou à meia-noite no horário local em ambos os países (18h00 de quinta-feira em Brasília), ocorre enquanto Washington intensifica seus esforços para alcançar um acordo que ponha fim à guerra com o Irã, que insiste que um eventual acordo de paz só é possível com um cessar-fogo no Líbano.

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A guerra no Oriente Médio começou quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Líbano se envolveu quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em 2 de março.

Trump afirmou que a trégua ocorre após conversas "excelentes" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, dois dias depois de Israel e Líbano iniciarem negociações de paz em Washington.

"Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um CESSAR-FOGO de 10 dias às 05h00 P.M." no horário de Washington, escreveu em sua rede social Truth Social. "As duas partes querem a PAZ e acredito que isso vai se concretizar rapidamente", acrescentou.

Mais tarde, disse que espera que Netanyahu e Aoun visitem a Casa Branca "nos próximos quatro ou cinco dias". Seria a primeira vez que os líderes de Israel e Líbano se reúnem.

Paz histórica

O primeiro-ministro libanês saudou o acordo de cessar-fogo, assim como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Esse acordo oferece uma oportunidade de "paz histórica" com Beirute, celebrou Netanyahu, lembrando, no entanto, sua exigência de desarmamento do Hezbollah como condição prévia.

Após a entrada em vigor do cessar-fogo com Israel, disparos foram ouvidos nos bairros do sul de Beirute, relataram jornalistas da AFP.

Meios de comunicação estatais também informaram sobre "intensos disparos" que acompanharam o início do acordo.

Ibrahim Moussaoui, deputado do movimento xiita, havia assegurado mais cedo à AFP que a organização respeitaria o cessar-fogo "com cautela (...) desde que se trate de uma interrupção total das hostilidades contra nós e que Israel não o utilize para realizar assassinatos" de membros do Hezbollah.

Pouco depois do anúncio de Trump, o Ministério da Saúde libanês informou sobre sete mortos e 33 feridos em um ataque israelense no sul do país.

Tecnicamente, Israel e Líbano estão em guerra há décadas.

Na terça-feira, foram realizadas conversas diretas entre os embaixadores dos dois países em Washington, as primeiras desse tipo desde 1993.

Sem data

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou vários ataques contra posições militares no norte de Israel, onde um porta-voz de um centro médico informou sobre três feridos, dois deles em estado grave. O Exército israelense anunciou ter atacado lançadores de foguetes do Hezbollah após esses disparos.

"Estamos cansados da guerra e queremos segurança e paz", disse à AFP em Beirute Jamal Chehab, dona de casa de 61 anos, celebrando o acordo de trégua.

Sentado em um café da capital libanesa, o advogado Tarek Bou Khalil considerou que "é sabido que não se pode levar Trump ao pé da letra, e que Netanyahu não é confiável".

"Mas sabemos que as pressões relacionadas à guerra com o Irã, assim como os erros de Netanyahu e do Exército israelense no sul do Líbano, os obrigaram a aceitar um cessar-fogo", acrescentou.

Paralelamente, continuam as gestões, sob os auspícios do Paquistão, para organizar uma segunda rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã e pôr fim de forma duradoura à guerra, após o fracasso da primeira em Islamabad no fim de semana passado.

Enquanto o conflito abala a economia mundial, o mundo espera ao menos uma prorrogação do cessar-fogo de duas semanas com a República Islâmica, em vigor desde 8 de abril.

Por enquanto, não há "data" estabelecida para uma segunda rodada de negociações, indicou à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.

Mas a situação pode mudar: Donald Trump afirmou nesta quinta-feira que o Irã havia aceitado ceder seu urânio enriquecido, uma de suas exigências para um acordo com Teerã.

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Por AFP
postado em 16/04/2026 22:12 / atualizado em 16/04/2026 22:13
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