O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um cessar-fogo com a Ucrânia durante a Páscoa ortodoxa neste fim de semana, informou o Kremlin nesta quinta-feira (9/4), após Kiev também ter proposto uma pausa nas hostilidades.
Com as negociações para encerrar o conflito — que já dura quatro anos — prejudicadas pela guerra no Oriente Médio, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou esta semana que havia apresentado uma proposta de trégua para as festividades por meio dos Estados Unidos, cujo governo lidera os diálogos.
O Kremlin declarou na quinta-feira, em comunicado, que, por decisão do presidente Putin, é estabelecido um cessar-fogo por ocasião da Páscoa ortodoxa "das 16h00 [10h00 de Brasília] de 11 de abril até o final do dia 12 de abril de 2026".
Ao Estado-Maior "foi dada a instrução de cessar as operações de combate em todas as direções durante esse período", acrescentou, embora tenha ressaltado que as tropas estão preparadas para "responder a qualquer possível provocação do inimigo".
"Partimos do princípio de que a parte ucraniana seguirá o exemplo da Federação da Rússia", afirmou o Kremlin.
A guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa de fevereiro de 2022, já custou centenas de milhares de vidas e deslocou milhões de pessoas, tornando-se o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Várias rodadas de negociações lideradas pelos Estados Unidos não conseguiram um acordo entre as partes em conflito, e o diálogo se estagnou ainda mais com a atenção de Washington voltada para o Irã desde 28 de fevereiro.
Avanços lentos
Nos últimos anos, os combates na linha de frente diminuíram em grande medida e os ataques com drones passaram a dominar a guerra na Ucrânia.
Moscou conseguiu pequenos ganhos territoriais a um custo muito elevado.
Mas Kiev tem conseguido recentemente recuperar terreno no sudeste, e os avanços russos vêm desacelerando desde o fim de 2025, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos.
Além dos contra-ataques ucranianos, analistas atribuíram a desaceleração à proibição imposta à Rússia de utilizar os satélites Starlink, da SpaceX, e aos esforços de Moscou para bloquear o aplicativo de mensagens Telegram.
O satélite e o aplicativo de mensagens eram amplamente utilizados pelas tropas para se comunicar, especialmente para coordenar ataques com drones.
A situação, no entanto, é desfavorável para a Ucrânia na região de Donetsk, em direção às cidades de Kramatorsk e Sloviansk, segundo o ISW.
Moscou quer que a Ucrânia retire suas tropas de ambas as cidades sem combate como parte de qualquer acordo de paz.
Nos últimos dias, a Ucrânia intensificou os ataques contra alvos energéticos russos, especialmente portos exportadores de petróleo, após os preços do petróleo dispararem devido à guerra no Oriente Médio.
Na prática, as negociações já pareciam em impasse, uma vez que Moscou exige concessões territoriais e políticas de Kiev que Zelensky rejeitou por considerá-las equivalentes a uma capitulação.
Moscou ocupa pouco mais de 19% do território ucraniano, a maior parte do qual foi tomada durante as primeiras semanas do conflito.
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