GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

EUA e Irã iniciam negociações de paz sob tensão no Paquistão

Encontros em Islamabad ocorrem após trégua frágil, marcada por ataques e impasse no Estreito de Ormuz

Em meio a um cenário de instabilidade no Oriente Médio, Estados Unidos e Irã devem dar início a uma rodada de negociações de paz em Islamabad, capital do Paquistão, a partir desta sexta-feira (10/4). O encontro ocorre após a mediação do governo paquistanês, que articulou uma trégua temporária entre as partes.

O primeiro-ministro do país, Shehbaz Sharif, afirmou que as conversas foram viabilizadas após um acordo firmado na última terça-feira (7/4), que previa a suspensão dos combates por duas semanas. Apesar disso, o cessar-fogo tem sido marcado por episódios de violência e divergências sobre os termos do entendimento.

A delegação norte-americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que tem chegada prevista para sábado (11/4). Também integram a comitiva o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e Jared Kushner, aliado próximo do ex-presidente Donald Trump e presença recorrente em negociações diplomáticas.

O acordo previa que Estados Unidos e Israel interrompessem ataques contra o território iraniano, enquanto Teerã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. No entanto, o compromisso enfrenta obstáculos desde os primeiros dias.

Na quarta-feira (8/4), ataques foram registrados de ambos os lados. O Irã decidiu fechar o estreito após ofensivas israelenses no Líbano, onde atua o Hezbollah, grupo aliado de Teerã. Israel, por sua vez, alegou que as operações em território libanês não estavam incluídas no acordo, o que contraria a interpretação iraniana.

Na quinta-feira (9/4), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, declarou que o Estreito de Ormuz estava aberto, mas sob restrições. Autoridades iranianas alertaram para a presença de possíveis minas navais e informaram que a Guarda Revolucionária passou a controlar o tráfego marítimo na região.

Na prática, a passagem segue limitada, com poucas embarcações autorizadas a cruzar o estreito. Diante do impasse, Donald Trump acusou o Irã de descumprir o acordo e afirmou que o fluxo de petróleo será restabelecido “com ou sem a cooperação iraniana”.

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