No dia em que Irã e Estados Unidos anunciaram que retomarão as negociações, em Islamabad (capital do Paquistão), as Forças de Defesa de Israel (IDF) tornaram a atacar o sul do Líbano. O Exército israelense afirma ter eliminado seis combatentes do movimento fundamentalista xiita Hezbollah, em Bint Jbeil, durante um suposto ataque a tiros. A região foi palco de intensos combates antes do frágil cessar-fogo, que passou a vigorar em 17 de abril e foi violado apenas uma semana depois.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o Hezbollah de "tentar sabotar" o cessar-fogo. "Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano e nos parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo", disse o chefe de governo. Na quinta-feira (23/4), os dois países tinham prolongado a trégua por três semanas. O Hezbollah instou o Estado libanês, a "se retirar das negociações diretas com Israel. Chefe do bloco parlamentar do grupo no Líbano, Mohammad Raad advertiu que qualquer encontro entre representantes dos dois países não teria o "consenso nacional libanês".
Nicholas Blanford, especialista em Hezbollah pelo instituto de pesquisas Atlantic Council baseado em Beirute, afirmou ao Correio que Israel tem bombardeado o Líbano desde o começo do cessar-fogo. "Isso ocorre tanto dentro da área sob seu controle quanto fora dela. Isso é semelhante — em menor escala — ao que os israelenses fizeram nos 15 meses após o cessar-fogo anterior, em novembro de 2024", disse.
O estudioso vê as chances de um acordo duradouro ou de pacto de paz completa entre Israel e Líbano como algo muito remoto. "Os dois lados estão muito distantes um do outro. Israel quer o desarmamento do Hezbollah. O Estado libanês também deseja o desarmamento do Hezbollah, mas não tem poder político para isso", observou Blanford. "O melhor que ambos os lados podem alcançar neste momento é um acordo para uma cessação das hostilidades a curto ou médio prazo, com algumas garantias de segurança."
Nova rodada
Teerã e Washington pretendem retomar em breve as tratativas para encerrar o conflito no Oriente Médo. O governo do Paquistão informou que o enviado iraniano, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores, está em Islamabad. Por sua vez, Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, informou que Steve Witkoff, enviado especial ao Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, viajarão neste sábado (25/4) para Islamabad. "Posso confirmar que o enviado especial Witkoff e Jared Kushner partirão novamente rumo ao Paquistão amanhã (hoje) de manhã para iniciar conversas... com representantes da delegação iraniana", disse Leavitt. O desfalque dessa vez será o do vice-presidente J.D. Vance, que liderou a comitiva na primeira rodada de diálogo.
Nesta sexta-feira (24/4), a União Europeia apelou a iranianos e americanos pela reabertura do Estreito de Ormuz e considerou a medida "vital" para o mundo. "O Estreito de Ormuz deve ser reaberto imediatamente, sem restrições e sem cobrança de pedágio, em pleno respeito ao direito internacional e ao princípio da liberdade de navegação", disse António Costa, presidente do Conselho Europeu, após tratativas com líderes regionais.
Netanyahu removeu tumor de próstata
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou com atraso seu boletim médico anual, o qual indica que os médicos removeram com sucesso um pequeno "tumor maligno em estágio inicial" de sua próstata. Em publicação na rede social X, o líder israelense, de 76 anos, observou que passou por uma cirurgia bem-sucedida há 18 meses para tratar "um aumento benigno da próstata". "Durante meu último exame médico, uma pequena mancha de menos de um centímetro foi detectada em minha próstata. Os exames confirmaram que se tratava de um tumor maligno em estágio muito inicial, sem sinais de metástase", declarou. Netanyahu acrescentou que passou por um "tratamento específico que eliminou o problema e não deixou rastros", sem especificar quando. Segundo seu gabinete na época, o primeiro-ministro realizou uma "colonoscopia de rotina" em um hospital de Jerusalém em maio do ano passado.
