
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa/B3) fechou a semana com quatro quedas consecutivas e uma desvalorização de 2,55% – a maior desde a primeira semana após o início da guerra no Oriente Médio, quando as perdas ficaram próximas a 5%. O principal índice da B3, que chegou a bater o recorde de 199 mil pontos em abril, fechou a penúltima semana do mês aos 190.745 pontos, com uma queda diária de 0,33%.
As ações da Petrobras e dos principais bancos do país – à exceção dos papeis do Itaú Unibanco – fecharam em queda nesta sexta-feira (24/4), contribuindo para o resultado negativo do Ibovespa no final do dia. No caso da petroleira, a notícia de que a companhia ampliou o controle sobre a Braskem derrubou as ações da empresa, que chegaram a operar em queda acima de 2% durante o dia.
Para o estrategista-chefe da GCB Investimentos, Roberto Dumas, a queda do Ibovespa reflete um movimento de correção após a bolsa brasileira chegar próxima ao patamar de 200 mil pontos neste mês. “É importante que tenha uma pequena correção no meio do caminho. Dentro dessas mazelas que a gente olha na Ásia e na Europa em meio à guerra, a América Latina continua sendo uma boa aposta, principalmente o Brasil”, avalia.
No mercado cambial, o dólar permaneceu praticamente estável no dia, apesar de ter voltado a ficar acima dos R$ 5 durante o pregão. No final da sessão, a cotação comercial da moeda norte-americana fechou em queda de 0,1%, a R$ 4,99. O movimento é similar ao da divisa no exterior, que recuou 0,23% na sessão, de acordo com o Índice DXY.
Incertezas na guerra
As ameaças e apreensões a navios petroleiros reacenderam questionamentos sobre a durabilidade do cessar-fogo e elevaram a percepção de risco sistêmico nos mercados, na avaliação do especialista Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa. Para a próxima semana, ele destaca que o foco deve estar em cima das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos na “superquarta”, com as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).
“As decisões de juros em economias centrais, com destaque para a 'superquarta' envolvendo Brasil e Estados Unidos, tendem a funcionar menos como eventos binários e mais como insumos para a recalibragem de expectativas. O mercado buscará nos comunicados sinais sobre o grau de tolerância dos bancos centrais a choques de oferta e à persistência inflacionária em um cenário ainda marcado por instabilidade geopolítica”, considera.
Em razão do prolongamento e da complexidade dos conflitos no Oriente Médio, o especialista acredita em um tom mais conservador das autoridades monetárias, com ênfase na preservação da ancoragem das expectativas. “Assim, além da volatilidade intrínseca aos desdobramentos geopolíticos, a leitura do mercado sobre o balanço de riscos apresentado pelos bancos centrais deve permanecer como um dos vetores de preço”, emenda Pastorello.

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