
Cinco mergulhadores italianos morreram durante uma exploração em uma caverna nas Maldivas, na última quinta-feira (14/5). A expedição subaquática que terminou em tragédia reacendeu debates sobre segurança, fiscalização e os limites do turismo de mergulho em áreas profundas do arquipélago.
Após dias de buscas realizadas por equipes especializadas na região de Thinwana Kandu, na conhecida “Caverna dos Tubarões”, os corpos foram encontrados em uma das áreas mais profundas, cerca de mais de 50 metros abaixo da superfície. Entre as vítimas estavam pesquisadores, biólogos e um instrutor experiente que liderava o grupo.
Segundo especialistas ouvidos pela imprensa internacional, a operação envolvia um ambiente considerado extremamente perigoso até mesmo para profissionais do mergulho. O ex-mergulhador militar Shafraz Naeem, que conhece a região, afirmou que já havia explorado partes da caverna anteriormente, mas evitava avançar para a terceira câmara por conta das condições de risco.
A estrutura submersa possui passagens estreitas, escuridão total e pouca margem para erro. Diferente de outros locais, que o mergulho recreativo é comum, em cavernas profundas como esta, os mergulhadores não conseguem subir rapidamente à superfície em caso de emergência, o que torna qualquer falha potencialmente fatal.
Ainda não se sabe detalhes de como os mergulhadores foram parar tão fundo. Especialistas apontam que o grupo pode ter enfrentado problemas relacionados à narcose por nitrogênio, efeito causado pela pressão em grandes profundidades, capaz de provocar desorientação, confusão mental e perda de percepção. Outra hipótese investigada é a toxicidade por oxigênio, condição associada ao uso inadequado de misturas respiratórias em mergulhos extremos.
Também há suspeitas de falhas no planejamento da expedição. Segundo relatos divulgados pela imprensa britânica, não teriam sido encontradas cordas-guia no interior da caverna, equipamento considerado essencial para orientar mergulhadores em ambientes fechados e sem visibilidade.
As vítimas foram identificadas como o instrutor Gianluca Benedetti, a professora universitária Monica Montefalcone, a filha dela Giorgia Sommacal, o biólogo marinho Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino.
O trabalho de resgate também terminou com uma nova morte. O mergulhador militar Mohamed Mahudhee sofreu complicações durante a operação de busca e não resistiu. A situação gerou críticas sobre as condições oferecidas às equipes locais encarregadas de atuar em cenários de alto risco.
Os corpos dos italianos foram localizados por mergulhadores técnicos ligados à Divers’ Alert Network Europe (DAN Europe), organização internacional especializada em emergências de mergulho. A equipe utilizou equipamentos avançados de respiração conhecidos como “rebreathers”, tecnologia que permite maior permanência em profundidade ao reciclar o ar respirado.
Especialistas afirmam que algumas operadoras oferecem mergulhos além dos limites considerados seguros para atrair turistas interessados em experiências extremas e na observação de espécies marinhas, como tubarões.
A empresa italiana responsável pela viagem negou que tenha autorizado uma descida acima do permitido e afirmou que a proposta inicial da expedição era realizar pesquisas científicas e coleta de amostras de corais em profundidades consideradas regulares.
*Estagiária sob supervisão de Ana Raquel Lelles
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