O subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, denunciou que a Bolívia enfrenta uma "tentativa de golpe de Estado". "Isto é um 'golpe' financiado por essa aliança entre política e crime organizado em toda a região (América Latina)", declarou Landau ao discursar no Conselho das Américas, think tank de Washington. "Não pode ser que haja um processo democrático no qual (Paz) foi eleito de forma esmagadora pelo povo boliviano há menos de um ano, e agora haja manifestantes violentos bloqueando as ruas", acrescentou.
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Com seis meses no poder, o presidente Rodrigo Paz (centro-direita), atravessa a pior crise política de seu governo e culpa simpatizantes do antecessor Evo Morales (esquerda) pela convulsão social que sitia La Paz há duas semanas. Na segunda-feira (18/5), manifestantes armados de explosivos, paus e pedras entraram na Plaza de Armas, onde se situa o Palácio Quemado, sede do Executivo. Eles exigiam a renúncia de Paz.
As autoridades aguardam novos protestos e mobilizaram 2.500 policiais. O ministro das Relações Exteriores, Fernando Aramayo, anunciou que La Paz apresentará denúncia formal ante a Organização dos Estados Americanos (OEA) por suposto "atentado à democracia e à estabilidade política". O país atravessa a mais grave turbulência econômica em quatro décadas.
O Ministério Público da Bolívia abriu uma investigação por tentativa de homicídio, destruição de bens do Estado, roubo agravado e instigação pública à delinquência, depois da ameaça de invasão ao Palácio Quemado. De acordo com o jornal boliviano El Deber, 29 das 130 pessoas detidas durante os distúrbios seguem sob custódia policial. Foragido, Evo Morales teve mandado de prisão renovado, em 11 de maio, por suposto tráfico de uma menor de 15 anos, a qual ele engravidou.
Professor de ciência política da Universidad Mayor de San Andrés (em La Paz), Marcelo Arequipa afirmou ao Correio que a Bolívia começa a entrar em uma "crise de Estado". "É um momento no qual quem pode exercer o uso legítimo da força constitucional e legal para colocar ordem não o faz. Prova disso foi a operação fracassada, no fim de semana, entre militares e policiais. Outra prova é a enorme violência registrada em La Paz nas últimas semanas", disse. Arequipa crê que o governo de Rodrigo Paz comete um grande erro, ao conferir a Evo Morales um capital político que o cocaleiro não mais tem. "Paz atribui a Evo a autoria das mobilizações organizadas por setores que não o apoiavam em sua gestão."
Em relação às medidas judiciais anuciadas por Paz para tentar pacificar a Bolívia, o especialista lembrou que o máximo dirigente da Central de Trabalhadores, Mario Argollo, tem uma ordem de captura contra ele e está foragido. "Vejo um problema, porque, ao agir assim, o governo de Rodrigo Paz queima as pontes de negociação e de possíveis acordos com os setores mobilizados", avaliou.
EU ACHO...
"Existe o risco de vigilância generalizada ou de guerra civil. Isso porque os pontos de bloqueios começaram a se expandir do departamento (estado) de La Paz para outras regiões. Por isso, creio que esse risco esteja cada vez mais latente e mais próximo."
Marcelo Arequipa, professor de ciência política da Universidad Mayor de San Andrés (em La Paz)
