Colômbia

Colômbia decide presidente em segundo turno marcado por polarização

Pesquisas indicam vantagem de Abelardo de la Espriella (direita), mas resultado segue indefinido em país marcado pela polarização

Ivan Cepeda e Abelardo de la Espriella -  (crédito: Luis ACOSTA e Raul ARBOLEDA / AFP))
Ivan Cepeda e Abelardo de la Espriella - (crédito: Luis ACOSTA e Raul ARBOLEDA / AFP))

Os colombianos voltam às urnas neste domingo (21/6) para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos. O segundo turno da eleição presidencial coloca frente a frente o candidato de direita Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria) e o senador Iván Cepeda, representante do Pacto Histórico e apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro.

O primeiro turno em 30 de maio, mostrou um país dividido. De la Espriella recebeu 43,7% dos votos, o equivalente a 10,36 milhões de eleitores, enquanto Cepeda alcançou 40,9%, com 9,69 milhões de votos. Como nenhum dos candidatos atingiu a maioria absoluta, a disputa será definida no segundo turno.

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Além disso, as pesquisas mais recentes apontam vantagem para De la Espriella. O levantamento da AtlasIntel, divulgado na última terça-feira (16/6) pela Americas Society/Council of the Americas (AS/COA), mostra o candidato da direita com 52,2% das intenções de voto, contra 44,5% de Cepeda. Outros institutos também registram liderança do direitista, embora dentro de um cenário ainda considerado competitivo.

A campanha foi marcada por debates sobre segurança pública, economia e pelo legado do governo Petro. Segundo a professora Glória Maria Vargas López de Mesa, do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), o resultado do primeiro turno não pode ser interpretado apenas como uma rejeição ao atual governo.

“O resultado do primeiro turno deu uma vitória por uma pequena margem ao candidato Abelardo de la Espriella da direita. Já Iván Cepeda da esquerda, do Pacto Histórico e apoiado por Petro, teve um patamar respeitável para um governo de esquerda em um país historicamente conservador. O segundo turno será muito disputado”, afirmou ao Correio.

Temais centrais

Entre os temas que mais influenciaram a campanha, a segurança pública aparece bem presente nas preocupações econômicas. De acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal colombiano El Espectador, 61,8% dos cidadãos apontam a ordem pública e a insegurança como uns dos principais problemas do país, perdendo apenas para a saúde, que recebeu 71,9%.

“A percepção da deterioração da segurança pública por aumento de homicídios em algumas regiões, a expansão dos grupos armados, atentados, entre outros fatores, levou alguns setores da população a avaliar que a política de Paz Total de Petro fracassou”, explica a professora.

Na avaliação dela, o crescimento de De la Espriella está diretamente ligado ao ambiente de polarização vivido pela Colômbia. “De la Espriella soube aproveitar o sentimento anti-petrista em um contexto político fortemente polarizado e consolidar um discurso populista, muito agressivo e confrontacional, com robusta presença nas redes sociais”, diz.

Polarização

A eleição também é vista por analistas como parte de um movimento mais amplo observado na América Latina. Para Glória Vargas, a Colômbia acompanha a tendência de fortalecimento de candidaturas de direita que ganhou espaço em diversos países da região nos últimos anos.

“Sim, a Colômbia está acompanhando e reforçando a onda de avanço da direita observada na América Latina nos últimos anos”, afirma.

Os votos dos candidatos derrotados no primeiro turno e a participação dos eleitores que se abstiveram na primeira rodada podem ser decisivos. Segundo a professora, a transferência do eleitorado de centro e o comparecimento de novos votantes ainda deixam espaço para mudanças no cenário.

Independentemente do resultado, a expectativa é de que a polarização continue presente na política colombiana. "A Colômbia vive um momento de polarização crescente, talvez o mais polarizado nos últimos 40 anos. Qualquer um que ganhe terá um Congresso fragmentado e opositor. Portanto, a polarização tende a aumentar no curto prazo”, conclui.

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postado em 21/06/2026 08:46
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