DINAMARCA

Restos mortais de baleia famosa na Europa vão virar biodiesel

Conhecida como Timmy, a jubarte que comoveu o mundo terá gordura transformada em biodiesel e tecidos convertidos em biomassa na Dinamarca

Após protagonizar nos últimos meses uma das maiores operações de resgate marinho da Europa, a baleia-jubarte Timmy foi encontrada morta em 14 de maio, próximo à ilha de Anholt, na Dinamarca. Seus restos mortais serão transformados em biodiesel.

A causa da morte ainda não foi esclarecida. Timmy de aproximadamente 12,35m e pesava 12 toneladas. Ela passou quase dois meses encalhando de forma repetida na costa da Alemanha, antes de ser transportada para águas mais profundas no Mar do Norte. 

A baleia foi avistada pela primeira vez em 3 de março no norte da Alemanha, muito distante de seu habitat natural no Oceano Atlântico. Especialistas acreditam que o animal possa ter seguido cardumes de arenque ou se desorientado durante a migração.

Toda a situação se agravou no dia 23, quando a baleia encalhou na praia de Timmendorfer Strand, local que inspirou o apelido “Timmy”. Equipes de resgate tentaram libertar o animal por vários dias, com escavadeiras, dragas e até mesmo embarcações. Apesar de sempre conseguir voltar ao mar, a baleia retornava de forma repetitiva a áreas rasas, ficava presa constantemente e apresentava sinais de enfraquecimento.

Diante da piora do quadro, especialistas chegaram a recomendar o encerramento das tentativas de salvamento, alegando que novas intervenções poderiam prolongar o sofrimento do animal. No entanto, uma operação privada financiada por empresários alemães arrecadou cerca de 1,5 milhão de euros para uma última tentativa de resgate.

O plano consistia em transportar a baleia por centenas de quilômetros em uma balsa inundada até águas mais profundas do Mar do Norte. A transferência foi concluída em 2 de maio.

Timmy foi solta a cerca de 70 quilômetros da costa de Skagen, no norte da Dinamarca, equipada com um rastreador para monitoramento. Os responsáveis pela missão comemoraram o resultado, mas cientistas criticaram a iniciativa, afirmando que a baleia estava debilitada demais para sobreviver e que o transporte poderia aumentar o seu estresse físico.

Menos de duas semanas depois, cerca de 70 quilômetros do ponto onde o animal havia sido libertado, uma carcaça de baleia acabou encontrada. A identificação foi confirmada por meio do transmissor instalado durante o resgate.

A necropsia realizada por pesquisadores dinamarqueses trouxe uma surpresa: Timmy era na verdade, uma fêmea, embora durante meses tenha sido tratada como macho pela imprensa e por parte dos especialistas. O exame encontrou estruturas reprodutivas femininas, mas não conseguiu determinar a causa exata da morte.

Agora, os restos mortais da baleia serão processados por uma empresa dinamarquesa especializada em reaproveitamento de resíduos animais. A gordura será convertida em biodiesel, enquanto pele, tendões e outros tecidos serão utilizados na produção de biomassa para geração de energia. Parte dos ossos será preservada e incorporada ao acervo do Museu de História Natural de Copenhague.

*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

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