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Terremotos na Venezuela: tragédia já é comparada ao devastador sismo de 1967

Desde 1900, a Venezuela registra fortes tremores, mas o terremoto de 1967 é, até o momento, considerado o mais devastador da história recente

A Venezuela, atingida por dois terremotos nessa quarta-feira (24/6), está localizada em uma região de alta atividade sísmica, influenciada pelo contato entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Desde o início do século XX, o país registra uma sequência de terremotos de diferentes magnitudes, muitos deles com impactos relevantes em áreas urbanas.

Entre esses eventos, o terremoto de Caracas de 29 de julho de 1967 é, até o momento, citado em estudos como o mais devastador da história recente da Venezuela. O tremor provocou mortes e destruiu edifícios inteiros na capital, expondo fragilidades estruturais e a ausência de normas de construção adequadas para regiões sísmicas.

O evento é considerado um marco na história da sismologia e da engenharia civil no país, visto que após a tragédia, houve um fortalecimento dos estudos sobre atividade sísmica e uma maior atenção às técnicas de construção antissísmica. Instituições como a Fundación Venezolana de Investigaciones Sismológicas (Funvisis) passaram a desempenhar papel maior no monitoramento dos tremores, enquanto códigos de construção foram sendo atualizados ao longo das décadas.

Segundo registros da Funvisis e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), terremotos posteriores de magnitude semelhante ao de 1967 tenderam a causar menor número de vítimas, refletindo um certo avanço nas normas de construção e no monitoramento sísmico no país.

Ainda assim, o balanço não é totalmente positivo. Organismos internacionais como o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNDRR) destacam que, apesar dos avanços técnicos, a vulnerabilidade urbana permanece elevada em países sísmicos com crescimento urbano desordenado e infraestrutura precária. Fatores como fiscalização irregular e deterioração da infraestrutura ao longo das últimas décadas continuam a ampliar o risco em grandes centros urbanos.

Isso pode ser observado nos terremotos que ocorreram nesta quarta-feira (24/6) em que até o momento, mais de 188 pessoas morreram e mais de 1500 estão feridas. Além disso, cerca de 250 prédios desabaram ou foram danificados. Segundo relatório da USGS, o número de mortos pode ficar entre mil e 10 mil mortos.

Linha do tempo dos principais terremotos na Venezuela (1900-2026)

29/10/1900 – San Narciso: Com magnitude 7,7, o fenômeno se deu no nordeste de Caracas e causou destruição extensa. Foram registradas 21 mortes, mais de 50 feridos e causou destruição da infraestrutura. 

17/01/1929 – Cumaná: O terremoto de magnitude de 6,9 gerou um tsunami em Cumaná, no estado de Sucre, e causou 800 mortes.

03/08/1950 – El Tocuyo: O abalo sísmico de magnitude 6,8 causou cerca de 100 mortos e destruição quase total da cidade histórica.

29/07/1967 – Caracas: Considerado o pior registro, o terremoto de magnitude 6,6 aconteceu próximo a Caracas, seguido por um pequeno tsunami. O abalo causou mais de 245 mortos e milhares de feridos, além de causar muitos danos à infraestrutura. 

09/07/1997 – Cariaco: O terremoto de magnitude 6,9 seguido de chuvas fortes deixou cerca de 70 mortos, e 500 feridos e muitos desabrigados. 

12/09/2015 – Mérida: Foram dois terremotos, ambos de magnitude 5,1, causando duas mortes. 

21/08/2018 – nordeste do país: Um terremoto de magnitude 7,3 ocorreu na região leste do país. O episódio deixou 5 mortos e mais de 120 feridos.

24/09/2025 – ano de alta atividade sísmica: foram registrados 189 eventos sísmicos pelo país. A magnitude dos tremores chegou a 6,3 causando danos estruturais, uma morte e mais de 100 feridos. 

24/06/2026 – Carabobo e litoral norte: dois terremotos de magnitude 7,1 e 7,5 atingem o país em sequência, causando colapsos estruturais e até o momento mais de 188 mortes. Cerca de 1.520 estão feridos e 157 desaparecidos.

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