Áustria

Austríaco processa governo após calor agravar doença neurológica

Homem com esclerose múltipla afirma que o aumento das temperaturas limita sua mobilidade e cobra ações mais firmes contra as mudanças climáticas

Caso pode abrir um precedente histórico na Europa ao discutir se um cidadão pode responsabilizar o Estado pelos impactos do aquecimento global -  (crédito: Joe KLAMAR / AFP)
Caso pode abrir um precedente histórico na Europa ao discutir se um cidadão pode responsabilizar o Estado pelos impactos do aquecimento global - (crédito: Joe KLAMAR / AFP)

As mudanças climáticas estão entre os assuntos mais comentados durante o verão europeu, e na Áustria, um homem identificado como Mex Müllner decidiu processar o governo no Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), alegando que o país não tem adotado medidas suficientes para enfrentar o aquecimento global e proteger pessoas que sofrem mais com as temperaturas extremas. O caso foi apresentado em uma ação em 2021 e desde então, é acompanhado com atenção por especialistas e pode influenciar futuras decisões sobre a responsabilidade dos governos diante da crise climática.

Na casa dos 40 anos, Müllner convive com esclerose múltipla e com a síndrome de Uhthoff, condição que intensifica os sintomas da doença quando a temperatura corporal aumenta. Em dias acima de 25 graus, ele perde parte da mobilidade. Quando os termômetros passam dos 30 graus, é preciso usar uma cadeira de rodas elétrica para se locomover. “O calor reduz a transmissão dos impulsos nervosos e impede que os músculos respondam normalmente aos comandos do cérebro”, explica Mex.

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Na ação apresentada, o austríaco sustenta que o governo falhou ao criar uma legislação capaz de reduzir os impactos das mudanças climáticas e proteger cidadãos em situação de maior vulnerabilidade. A defesa também argumenta que a Justiça do país não oferece mecanismos eficazes para reparar esse problema. Caso obtenha uma decisão favorável, ele poderá ser reconhecido como “a primeira vítima das mudanças climáticas” pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos, o que abriria espaço para processos semelhantes em outros países do continente.

O julgamento acontece em um momento em que a Europa enfrenta sucessivas ondas de calor. No mês de junho a França, Bélgica e Holanda registraram cerca de 3.700 mortes em excesso atribuídas às temperaturas extremas, segundo autoridades locais. Só na França foram 2.025 óbitos adicionais, enquanto a Bélgica contabilizou 1.200 e a Holanda 480, números considerados sem precedentes. 

Müllner e a esposa moram em uma casa adaptada em para manter a temperatura próxima de 20°C durante todo o ano. Para ele, o objetivo nunca foi buscar uma solução apenas onde vive, mas incentivar políticas que ajudem a preservar o planeta. “Quero uma solução que mantenha o mundo habitável para a humanidade”, afirmou.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares

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postado em 06/07/2026 22:29 / atualizado em 06/07/2026 22:52
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