Reino Unido

Andy Burnham está a um passo de se tornar o 59º premiê britânico

Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, assume a liderança do Partido Trabalhista e finaliza preparativos para ocupar o cargo de primeiro-ministro na segunda-feira. Em discurso, defende fim das divisões internas e do faccionalismo

Andy Burnham (C) sorri ao lado de sua esposa, Marie-France van Heel (D), logo depois de ser confirmado para comandar os trabalhistas        -  (crédito: Henry Nicholls/AFP)
Andy Burnham (C) sorri ao lado de sua esposa, Marie-France van Heel (D), logo depois de ser confirmado para comandar os trabalhistas - (crédito: Henry Nicholls/AFP)

Às vésperas de se tonrar o novo inquilino do número 10 de Downing Street, Andy Burnham assumiu a liderança do Partido Trabalhista com um objetivo: combater as divisões internas e a política de facções. Aos 56 anos, o ex-prefeito da Grande Manchester deverá ser oficializado primeiro-ministro do Reino Unido na próxima segunda-feira (20/7), durante uma tradicional reunião com o rei Charles III.

"É a honra da minha vida ser o líder do Partido Trabalhista. Serei o líder de cada região e nação neste grande país. Este Partido será assumidamente trabalhista em nossas prioridades e nas decisões que tomarmos. Juntos, colocaremos a Grã-Bretanha em um novo caminho", prometeu, em publicação na rede social X.

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No discurso de posse como líder partidário, Burnham prometeu restabelecer a união partidária. "Trabalharei incansavelmente para construir uma cultura de unidade no Partido Trabalhista, pois a mudança começa por nós. Não venceremos a nova direita britânica se estivermos consumidos por disputas internas e agindo em direções opostas", declarou o próximo primeiro-ministro.

Integrante da ala mais à esquerda do partido, Burnham advertiu que o faccionalismo tem prejudicado os trabalhistas e avisou que se esforçará para construir uma "nova política". "O país clama por isso. Nós podemos até gostar de marcar pontos contra os adversários, mas o público não gosta. Como os políticos podem apontar o dedo uns para os outros quando o padrão de vida está caindo e a política, como um todo, não está funcionando para as pessoas?",  questionou. "Estamos unidos e colocamos a força que emana desta unidade a serviço das pessoas e dos territórios que há muito tempo esperam que a política os devolva a esperança, e isso é o que vamos fazer, todos juntos. Vamos devolver-lhes a esperança."

Ele defendeu a "coragem para corrigir grandes questões negligenciadas pela política" e cobrou um discurso político "menos tóxico". O tom de Burnham mostrou-se inclusivo e agregador:  "Trabalharemos com outros partidos onde pudermos, mas faremos isso com a clareza de saber exatamente qual é a nossa posição." Burnham acenou com mudanças na condução do Reino Unido. "Se quisermos uma economia e um país que funcionem para todas as pessoas e todos os territórios, precisamos de um novo rumo."

Gabinete

O líder do Partido Trabalhista pretende anunciar o gabinete somente na segunda-feira. Ao ser perguntado o motivo pelo qual ainda não havia divulgado sua equipe de governo, Burnham respondeu: "Seria um tanto prematuro e, creio eu, causaria um caos total começar uma reforma parcial da equipe antes mesmo de assumir o cargo". Entre as propostas de governo, estão o início de um amplo processo de descentralização, como forma de promover o crescimento econômico. Nesse sentido, ele quer passar o controle de setores estratégicos — como transporte, habitação, capacitação profissional e desenvolvimento — às autoridades locais. Mas a ânsia por transformações esbarra na estagnação da economia e em altos custos de financiamento para o governo. 

Professor emérito da Universidade de Buckingham, Anthony Glees explicou ao Correio que Burnham sabe como discursar e ofereceu uma mensagem de esperança, ao contrário de seu antecessor. "Suas duas grandes promessas — criar um novo serviço nacional de assistência e reverter o thatcherismo (referindo aos '40 anos perdidos') — provavelmente não passam de palavras vazias,´pois ele não dispõe de recursos para torná-las concretas", disse. O estudioso lembra que a ala esquerdista do Partido Trabalhista aprecia essas promessas e sente que ganha força internamente. "É dessa maneira que ele pretende acabar com o faccionalismo interno", comentou. "Ele também busca conquistar a esquerda ao adotar uma postura mais crítica em relação a Israel. Duvido que a ideia de aumentar impostos para financiar uma maior intervenção estatal na economia seja bem recebida pelos eleitores. Receio continuar cético quanto a isso."

 

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postado em 18/07/2026 05:50
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