
Os 7.500 moradores do vilarejo palestino de Qusra, localizado na Cisjordânia ocupada, a 48km ao sul de Nablus, foram surpreendidos, na madrugada de ontem, por um ataque de colonos judeus. Em entrevista ao Correio, Abdelazim Wadi, prefeito de Qusra, contou que a Mesquita de Al-Rahma foi incendiada pelos invasores. "Eles rabiscaram nas paredes da mesquita inscrições como: 'Vingança por Eliyahu' — sexta-feira, dois israelense e quatro palestinos foram mortos durante confrontos depois de uma incursão de colonos à cidade de Tel. Também escreveram 'O incêndio começa pelas mesquitas' e 'Israel será estabelecido com sangue'", relatou. Ele lembrou que, em 2011, outro templo islâmico, a Mesquita de Al-Nourayn, também no vilarejo de Qusra, teve o mesmo destino.
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De acordo com o prefeito, a população está tomada por um "intenso medo". "Nós não conseguimos proteger nossos cidadãos. Os colonos realizam esses incêndios em grupos organizados. Desde 7 de outubro de 2023, o perigo para o nosso vilarejo tem aumentado diariamente. Em 12 de outubro daquele ano, tivemos seis mártires em um único dia. Em 13 da abril de 2024, carros, casas e um supermercado foram queimados, e ovelhas acabaram mortas. A violência por parte dos colonos ocorre todos os dias na Cisjordânia. Predomina uma sensação de medo", disse Wadi.
Ele acusou as Forças de Defesa de Israel (IDF) de conivência. "O Exército israelense intervém somente depois dos ataques, permanecendo ao lado dos colonos. De fato, desde 7 de outubro, o ódio e o racismo vieram à tona — sem qualquer consideração pelos direitos de humanos ou animais — e o Exército não dá ouvidos aos moradores do vilarejo", acrescentou o prefeito. Em contato com a reportagem, as IDF informaram que, na manhã de ontem, soldados foram enviados aos arredores de Qusra, após receberem um relato de que uma mesquita tinha sido queimada. "Os soldados buscaram suspeitos que fugiram antes de sua chegada e identificaram sinais de incêndio criminoso e pichações. Posteriormente, policiais de Israel do Distrito da Judeia e Samaria entrarão na área, sob a segurança das IDF, para coletar depoimentos, constatações e evidências como parte da investigação. As forças de segurança condenam veementemente incidentes desse tipo, incluindo danos a locais religiosos, e continuarão a agir de forma decisiva para manter a segurança e a ordem pública na região", afirmaram.
Em um incidente distinto, colonos judeus atearam fogo a uma mesquita na vila de Kour, a 12km a sudeste de Tulkarem, também na Cisjordânia ocupada. Os vândalos picharam slogans racistas nos muros do local de peregrinação dos muçulmanos, anunciou o Ministério de Doações e Assuntos Religiosos da Autoridade Palestina.

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