
Depois de ameaçar não receber Benjamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou abrir as portas da Casa Branca para o visitante, nesta terça-feira (28/7). À véspera do encontro entre o republicano e o primeiro-ministro israelense, a violêncianão dava sinais de trégua na Cisjordânia ocupada, onde colonos judeus voltaram a atacar um vilarejo palestino no meio da noite. Em Beida, ao sul de Nablus, os invasores queimaram caminhões perto de uma fábrica. Também tentaram incendiar uma casa na vila de Talfit. Na madrugada de domingo (26/7), um grupo de colonos ateou fogo à mesquita de Qusra, pichou paredes, matou ovelhas e queimou carros. O incidente mais grave ocorreu dois dias antes, quando um confronto matou dois judeus e quatro palestinos. Nesta segunda-feira (27), retroescavadeiras das Forças de Defesa de Israel (IDF) demoliram lojas e casas na localidade de Anzah, ao sul da cidade de Jenin.
Segundo o jornal The Times of Israel, centenas de ex-generais das IDF assinaram uma carta na qual pedem a Trump que convença Netanyahu a controlar a crise na Cisjordânia. "A menos que seja contida de forma rápida e decisiva, a escalada da violência na Cisjordânia ameaça incendiar a região e traz graves consequências, tanto para a segurança de Israel quanto para os interesses regionais dos EUA", escreveu Matan Vilnai, major-general da reserva do Exército israelense, em nome do grupo Comandantes pela Segurança de Israel.
Sob a condição de anonimato, um morador de Qusra disse ao Correio que as provocações têm se tornado rotineiras. "Vilarejos enfrentam ataques recorrentes — por vezes, várias vezes num único dia. Centenas de palestinos foram mortos desde o início desses ataques, sem qualquer outra 'ofensa' além de serem palestinos que desejam viver em suas próprias terras — as terras de seus ancestrais."
Marwan Jebril, embaixador da Palestina no Brasil, declarou ao Correio que os ataques de colonos ocorrem sob a proteção e, muitas vezes, a cumplicidade das IDF. "Eles refletem a essência do projeto sionista de expulsão da população palestina de sua terra. O objetivo dessas ações é semear o medo, destruir qualquer possibilidade de uma vida segura e forçar o deslocamento da população palestina", advertiu o diplomata.
De acordo com Jebril, o que ocorre na Cisjordânia insere-se na "continuidade de uma política sistemática de limpeza étnica, deslocamento forçado e violência que acompanha a ocupação da Palestina há décadas". "Sem responsabilização e sem pressão internacional, os ataques de colonos e as violações cometidas por Israel continuarão a ameaçar a estabilidade da região e a minar qualquer perspectiva de uma paz justa e duradoura."
Irã
Trump mostrou-se otimista quanto à possibilidade de firmar um novo acordo com o Irã. Pelo terceiro dia consecutivo, a pausa nas hostilidades foi mantida pelos dois lados. As hostilidades cessaram temporariamente no sábado. Ao ser interrogado por jornalistas sobre as negociações, a bordo do avião presidencial Air Force One, o republicano respondeu: "Tenho muita paciência... Veremos o que acontece. Acho que há boas chances de que algo possa acontecer". Ele descartou que a pausa nos combates tenha sido provocada por falta de munições. "Temos muita munição. Gostaria de ter mais, para ser sincero, mas foi enviada uma quantidade muito grande para a Ucrânia", declarou.

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