Após a Venezuela sofrer com dois terremotos que atingiram o país na última semana e nesta segunda-feira (29/6), organizações humanitárias e voluntários de diferentes nações relatam estar sofrendo entraves do governo venezuelano para a entrada no país. De acordo com o último balanço publicado pelo governo, 2.295 pessoas morreram após os terremotos, 11.267 pessoas ficaram feridas, 12.841estão desabrigadas e o número de desaparecidos pode chegar a 50 mil, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).
A ONG Isar Alemanha, uma das organizações atuantes em La Guaira, região onde o impacto da tragédia foi maior, publicou uma nota afirmando que seus voluntários tiveram a autorização de entrada negada. O governo chavista decidiu militarizar a região logo após os desabamentos, o que acabou limitando significativamente a chegada de insumos, remédios e resgate.
O grupo de resgates chileno Topos Chile também se manifestou publicamente sobre os impasses enfrentados em território venezuelano. Em nota, o grupo denunciou autoridades venezuelanas de impedir a chegada de socorro para as vítimas, além de exigir repetidamente a apresentação de documentos para comprovar que não existem “espiões” atuando nos locais atingidos.
De acordo com autoridades venezuelanas, a decisão de burocratizar a chegada dos voluntários e das instituições foi a solução encontrada para evitar que um grande número de “pessoas não qualificadas” fossem até a região, consequentemente dificultando o trabalho dos profissionais presentes, podendo inclusive aumentar o número de acidentes.
A Venezuela alega que as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) também dificultam uma ação mais rápida nos resgates e nas buscas pelos desaparecidos. Em seguida dos terremotos, Washington chegou a anunciar a suspensão das sanções por quatro meses, apenas para ações de socorro às vítimas da tragédia, a medida norte-americana ainda cria um fundo de US$ 150 milhões (dólares) para custear o apoio a organizações humanitárias atuantes no local.
Por outro lado, a União Europeia (UE) optou por manter as sanções ao país sul-americano, se limitando apenas a enviar ajuda humanitária. Enquanto isso, agências da ONU também alertam para o risco de escassez alimentar, hídrica e de recursos básicos, especialmente em La Guaira.
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