Oriente Médio

Depois de mostrar irritação, Donald Trump recebe Benjamin Netanyahu

Presidente americano insinua que não precisa do premiê israelense para lidar com instalação nuclear dentro de montanha do Irã. Líder de Israel classifica encontro a portas fechadas na Casa Branca como "excelente"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resistiu em receber o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Depois de mudar de ideia, demonstrou irritação com o aliado nos momentos que antecederam a visita. "Eu não preciso que Bibi me diga", declarou o republicano, citando o apelido do chefe de governo israelense, ao assegurar que Washington não necessita de informações de inteligência sobre a instalação nuclear iraniana de Pickaxe.

"Bibi me diz isso porque quer que eu continue envolvido. Nós sabemos exatamente o que está acontecendo", acrescentou Trump, em um sinal de que a Casa Branca em nada parece interessada em aprofundar seu envolvimento na guerra contra o Irã. Em entrevista à emissora Fox News, ele concluiu: "Nós eliminamos as instalações nucleares deles, e teremos de eliminar Pickaxe se não fizermos um acordo". A instalação de Pickaxe fica a 2km da usina de enriquecimento de urânio de Natanz e está situada 100m sob o solo de rochas sólidas. Antes do encontro a portas fechadas, Trump e Netanyahu posaram para fotos no Salão Oval, entre sorrisos.

Professor de relações internacionais da Universidade de Nova York, Alon Ben-Meir afirmou ao Correio que o encontro durou entre 80 e 90 minutos, longe dos holofotes. "Não houve uma declaração conjunta ou pública, algo incomum para Trump. Netanyahu saiu da reunião descrevendo-a como 'uma das melhores conversas' que teve com Trump. O premiê relatou que não houve menção a um ataque à Montanha Pickaxe nem ao fornecimento de caças F-35 para a Turquia. A Casa Branca limitou-se a informar que ambas as reuniões foram 'positivas e produtivas'", disse. Segundo Ben-Meir, Netanyahu tinha solicitado o encontro duas semanas antes, e Trump teria concordado por meio de uma fala: 'Se ele estiver na cidade, então eu o recebo". 

O estudioso destacou que a reunião ocorreu no momento em que a guerra do Irã completou cinco meses. "A presença do vice J.D. Vance sugeriu supervisão, não cordialidade. Netanyahu fez questão de afirmar que o termo 'excelente' não era retórica vazia — afinal, quem acaba de ter uma reunião genuinamente boa raramente precisa antecipar-se para dissipar tal dúvida", disse Ben-Meir. "Os superlativos destinam-se ao eleitorado israelense e não descrevem o que de fato ocorreu no Salão Oval. A definição dada por Trump — 'Temos uma pequena divergência, mas estamos bem próximos' — reflete a realidade com mais honestidade; além disso, o fato de as negociações indiretas entre EUA e Irã terem atingido uma 'fase séria' é o desfecho que Netanyahu tentou frear, mas sem sucesso." 

Capitulação

Para Chuck Freilich, ex-vice-conselheiro de Segurança Nacional de Israel, as chances de EUA e Irã alcançarem um acordo verdadeiro são mínimas ou inexistentes, a menos que Trump abandone posições americanas fundamentais — inclusive em relação ao programa nuclear iraniano. Ele considera que o Memorando de Entendimento (MoU) assinado em junho foi uma capitulação de Washington. "Trump preferirá corrigir isso, caso se chegue a algum acordo. Ele enfrenta forte pressão devido à economia global e às próximas eleições. Para os iranianos, as questões são de importância existencial; portanto, sua disposição para fazer concessões é ainda mais limitada do que a dos americanos", disse ao Correio.

 


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