
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirino, afirmou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5/8) que a Argentina não tomará medidas diplomáticas em resposta ao rebaixamento das relações com o Brasil.
"Em toda disputa, todo confronto, são necessários dois. A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que não é o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações, como disse recentemente em uma entrevista. Do lado nosso, não vai ter nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer", declarou Quirno.
Na terça-feira (4/8), o Brasil informou à Argentina que suas relações serão tratadas em nível de encarregado de negócios. Essa decisão foi tomada depois que o presidente argentino, Javier Milei, voltou a insultar o presidente Lula.
A medida representa uma deterioração acentuada nas relações entre os dois países, cujos presidentes não realizaram um encontro bilateral desde que Javier assumiu o cargo. Em nota, a chancelaria argentina disse que “lamenta" a decisão brasileira tomada “unilateralmente” e afirma que a medida faz o Brasil “continuar se isolando do resto da região por questões meramente ideológicas”.
No comunicado, a chancelaria afirmou ainda que o Itamaraty pediu que o embaixador de Javier Milei em Brasília, Daniel Raimondi, volte para a Argentina.
“Nestes últimos anos, houve numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países. Em todos os casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Este é o critério que a Argentina mantém hoje”, disse a pasta argentina, em comunicado.
O texto diz ainda que “as relações entre os Estados não devem ficar submetidas às necessidades políticas e/ou às pessoas dos governantes do momento”.
O comunicado argentino foi publicado no mesmo dia em que Raimondi foi convocado para receber uma nova ordem de protesto do Itamaraty. Ele havia sido chamado para prestar esclarecimentos no dia 26 de julho, um dia após Milei chamar Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”, entre outros insultos, na convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo.
Segundo fontes diplomáticas, insultos de Milei em três novas ocasiões desde a convocação de Raimondi demonstram que não há disposição de seu governo em restaurar uma relação correta com o Brasil.
A decisão comunicada ao representante argentino é de que a relação entre os países foi rebaixada para o nível de encarregados de negócios e que o embaixador brasileiro, Julio Bitelli, não retornará para Buenos Aires enquanto os insultos de Milei continuarem.

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