EPIDEMIA

Epidemia de ebola na RD Congo é a mais letal da história do país

Com propagação recorde e uma morte a cada 30 minutos, atual surto na República Democrática do Congo supera marca de 2018-2020

Equipes da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho preparam, no cemitério de Mbiyo, o sepultamento do corpo de um quarto órfão que morreu vítima da doença causada pelo vírus Ebola em um orfanato  -  (crédito: Jospin Mwisha/AFP)
Equipes da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho preparam, no cemitério de Mbiyo, o sepultamento do corpo de um quarto órfão que morreu vítima da doença causada pelo vírus Ebola em um orfanato - (crédito: Jospin Mwisha/AFP)

A epidemia de ebola, que se propaga em um ritmo sem precedentes, tornou-se nesta segunda-feira (17/8) a mais letal da história da República Democrática do Congo (RDC), superando em apenas três meses as 2.300 mortes registradas no surto de 2018-2020.

A epidemia "é a de propagação mais rápida já registrada e mata uma pessoa a cada 30 minutos", alertou na semana passada o secretário de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher.

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No momento, não há nenhuma vacina nem tratamento disponível para a variante Bundibugyo, que provocou a atual epidemia.

Após o surgimento em Ituri (nordeste), a 17ª epidemia da história do país se propaga rapidamente pelas províncias do leste e nordeste do país africano, onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é precária.

"Morrem no caminho" 

O irmão de Flavier Ngurima faleceu pouco antes de chegar ao centro de tratamento (CTE), em Ituri, um dos principais epicentros da epidemia.

"Nós chamamos uma enfermeira de confiança para atendê-lo em casa, já que tanto ele quanto seus familiares tinham medo de comparecer ao CTE. Diziam que muitas pessoas morrem lá", conta.

E este não é um caso isolado, pois no território de Djugu, em Ituri, as pessoas acreditam "que se trata de um envenenamento ou de outras doenças", explica Jean-Paul Malo Lotsima, um líder local.

"Por isso, somente no último momento, quando a família observa que a situação piora, eles levam os doentes ao hospital. E às vezes, eles morrem no caminho", explica.

Mohamed Janabi, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, afirma que "mais de 70% das pessoas morrem na comunidade", e não nos CTE.

O atual surto deixou 2.325 mortos e 4.945 casos confirmados, superando os números de mortalidade da epidemia de 2018-2020 no leste da RDC, que deixou 2.299 mortos e 3.381 casos confirmados.

Os primeiros meses do surto provocaram sete vezes mais contágios e cinco vezes mais mortes do que os três primeiros meses da pior epidemia de ebola da história, que afetou o oeste da África em 2014, segundo a Agência de Saúde da União Africana (Africa CDC).

Em Bunia, capital de Ituri, onde quase 90% dos casos foram registrados desde meados de maio, as medidas para combater a epidemia são mínimas, apesar da urgência da situação.

Além disso, as pessoas continuam aglomeradas nos mercados, sem respeito às medidas de proteção, observou um correspondente da Agence France-Presse (AFP).

"A participação da comunidade na resposta continua insuficiente", destaca Janabi. 

Uganda, país vizinho da RDC, registrou 20 casos confirmados — incluindo duas mortes —, mas anunciou em meados de julho que não tinha mais casos ativos do vírus.

A Organização Mundial da Saúde declarou na quarta-feira (12/8) que espera reverter a tendência de alta da epidemia de ebola na RDC em um prazo de três meses.

 

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AF
postado em 17/08/2026 13:35
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